A narradora olha para as mãos da tia. As unhas ainda refletem a luz que entra pela janela do quarto. Mas, nas suas palavras, as pontas dos dedos estão escuras, "como se mergulhadas em nanquim". A tia está morrendo.
No romance autobiográfico "A Estante dos Últimos Suspiros", a escritora suíça-romena Aglaja Veteranyi descreve a angústia de quem assiste ao fim de uma pessoa amada. Carregado de poesia, morte e luto, o livro chega ao Brasil pela Relicário, em tradução de Fernando Klabin.
Nascida em Bucareste, Veteranyi cresceu em uma família circense, com a qual percorreu o mundo. Assentou-se na Suíça e passou a escrever em alemão. Em 1999, seu romance de estreia, "Por Que a Criança Cozinha na Polenta", convenceu os críticos e a transformou em sensação literária.
Aquele primeiro livro narrava a infância —mágica e instável— de Veteranyi no circo. O livro foi publicado no Brasil em 2004 pela editora DBA e deve ser reeditado em setembro pela Relicário. A tia já aparecia, mas em segundo plano, em meio à família toda.
O adoecimento e a morte da tia inspiraram Veteranyi a escrever "A Estante dos Últimos Suspiros". Era uma espécie de sequência, desta vez enfocando o assentamento da família errante e o sofrimento da tia, de quem, o texto indica, a autora era mais próxima do que da própria mãe.







