O debate eleitoral tende a levar os holofotes para aspectos isolados do SUS (Sistema Único de Saúde). Mas essa é uma discussão que costuma começar ou se concentrar na pergunta errada, sobre falta de dinheiro. É evidente que o SUS precisa de mais recursos. O problema é supor que a solução para os diversos problemas da saúde brasileira se resume a mais verbas, sendo que a complexidade do tema vai além.

Do ponto de vista prático, não creio que exista espaço para um aumento significativo do financiamento nos próximos anos. Partindo dessa realidade, talvez a pergunta central seja outra: o modelo de financiamento que construímos ainda é capaz de responder às necessidades do sistema de saúde brasileiro?

O modelo atual cumpriu um papel importante na implantação e na expansão do SUS, mas já não responde às demandas de uma população que envelheceu, convive com doenças crônicas e precisa de uma rede articulada de cuidados. Hoje, parte importante dos recursos continua vinculada ao pagamento de procedimentos e internações. Mas uma coisa é ampliar a oferta de serviços. Outra é organizar um sistema de saúde. Procedimento não organiza rede. Quem organiza rede é gestão.

Além do financiamento

Tomemos como exemplo um hospital de pequeno porte. Ele resolve uma parte dos problemas da população, mas não faz cirurgia cardíaca, não trata câncer, não realiza procedimentos de alta complexidade. Mesmo assim, continua consumindo recursos porque está inserido em um modelo de financiamento baseado no pagamento por procedimentos.