"Não sou uma escritora mapa. Sou uma escritora bússola." A frase de Eva Baltasar parece uma definição de método, mas é antes uma declaração de desobediência. A autora catalã, que lança no Brasil o terceiro volume de um tríptico, diz não escrever para confirmar uma ideia que já tem na cabeça, mas para descobrir o que ainda não sabe.
"Eu nunca sei o que vou escrever. Não sei qual será a história, nem para onde ela vai me levar. Simplesmente me entrego ao processo", diz ela em Paraty, onde foi destaque da Flip. "Às vezes sigo numa direção e descubro que não há nada ali. Acontece de destruir meses inteiros de trabalho."
É a partir desta incerteza que nasce "Mamute", terceiro romance da trilogia traduzida pela editora Dublinense e iniciada com "Permafrost", de 2018, e continuada com "Boulder", de 2020, finalista do prestigioso International Booker Prize.
Poeta e romancista, Baltasar se consolidou como uma das vozes mais singulares da literatura catalã contemporânea. Seus livros acompanham mulheres que não são nomeadas, narradas em primeira pessoa, que vivem situações limite e são repletas de desejos, desconfortos e de uma urgência em escapar das formas preconcebidas de existência feminina.







