O narcisismo delirante do presidente da Fifa o impede de enxergar o que todos veem: sua absoluta falta de carisma 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 BFFs: Infantino olhando para Trump em evento na Trump Tower, realizado nesta sexta-feira — Foto: Mandel NGAN/AFP A hora é agora, e não tem volta atrás. Ou estamos diante do começo do fim de Gianni Infantino no comando da Fifa ou do início de uma nova era com ele como um governante absoluto e todo-poderoso, uma espécie de amo e detentor do futebol internacional, que nunca mais seria o mesmo que conhecíamos. Porque o novo plano megalomaníaco do presidente da Fifa desatou um terremoto no mundo do futebol que mudará para sempre a geopolítica da bola. Resumindo, Infantino quer transformar a Fifa numa espécie de máquina de gerar receitas para investidores privados ao transferir todas as áreas lucrativas da organização (leia-se Copa do Mundo) para uma subsidiária e, em seguida, vender 20% dela porque... porque sim. Em troca, as 211 federações filiadas receberiam até US$ 40 milhões nos próximos quatro anos, contra os US$ 10 milhões que receberiam pelo modelo atual. O que parece mais intrigante nessa inesperada tentativa de comercializar o maior evento esportivo do planeta é que a Fifa jamais ganhou tanto dinheiro quanto atualmente. A organização, que sempre faz questão de lembrar que não tem fins lucrativos, acaba de faturar US$ 15 bilhões no ciclo de quatro anos que culminou com a Copa do Mundo do ídolo de Infantino, Donald Trump, e não há motivos aparentes ou encobertos para justificar uma iniciativa como essa. Principalmente da forma como ela foi apresentada, às pressas, depois que o The Times e o Financial Times revelaram os planos de Infantino, que deu um ultimatum às federações, que teriam pouco menos de dois meses para decidir se entram ou ficam de fora. Uns chamam isso de pressão, outros... O plano de Infantino vem bancado por um nome curioso, o bilionário americano Joshua Kushner, dono da investidora Thrive Eternal e irmão de Jared Kushner, genro e ex-assessor de Trump. O pai deles, Charles Kushner, recebeu indulto presidencial no primeiro mandato de Trump, em 2020, depois de ser preso e proibido de exercer advocacia em vários estados americanos ao ser condenado por contribuições ilegais para campanhas eleitorais, evasão fiscal e interferência indevida em testemunhas. Hoje, com ficha limpa, é o embaixador dos EUA na França e Mônaco. Os últimos quatro anos de aproximação a Trump foram determinantes para essa transformação de Infantino como uma espécie de pastor do futebol, com tentativas frustradas e quase constrangedoras de tentar emular os trejeitos do presidente dos EUA. Seu narcisismo delirante o impede de enxergar o que todos veem: sua absoluta falta de carisma. É o tiozão que faz discurso na festa da família todo ano achando que está abafando. Só que Infantino tem uma arma que vale muitos votos, principalmente dos menores. E isso pode tê-lo feito dar um passo maior do que as próprias pernas. Porque, no fundo, a controvérsia vai além de uma simples reestruturação financeira. Para os críticos, trata-se de uma tentativa oportunista de monetizar o torneio mais valioso do esporte em troca de ganhos políticos de curto prazo. E a percepção de que Infantino estaria disposto a “vender um pedaço da Copa do Mundo” para consolidar seu legado, seu poder e talvez seu futuro profissional além de 2031, quando seu quarto (e último?) mandato termina, pode acabar ultrapassando os limites até para seus aliados mais fiéis. Até ontem à noite, a CBF e a Conmebol estavam em silêncio. Vale questionar o porquê...