O sul da Bahia, palco do início do desmatamento da mata atlântica com a colonização portuguesa, abriga empresas que buscam repovoar a região com árvores nativas e gerar créditos de carbono.

A Symbiosis Investimentos começou a atuar em Porto Seguro em 2010, cultivando 100 mil mudas por ano. Hoje, a produção anual alcança 3,9 milhões de mudas, e a estratégia de negócios da companhia envolve tanto a restauração florestal quanto a produção sustentável de madeira.

"É um resgate, quase uma reparação histórica", diz Alan Batista, CFO da empresa. "Uma floresta tropical é diversa, não existe monocultura na natureza. A Symbiosis nasce de simbiose, uma relação mutuamente benéfica entre dois seres, homem e natureza."

O modelo chamou a atenção da Apple, que firmou parceria em 2023 para compra de créditos de carbono por meio do Restore Fund, mecanismo da big tech com Goldman Sachs e Conservação Internacional para financiar a remoção de gases-estufa da atmosfera. A Symbiosis também recebeu aprovação em 2025 do primeiro financiamento do Fundo Clima a um projeto de silvicultura com plantas nativas, no valor de R$ 77 milhões.

Ipês-felpudos (à esq.) e cedros-australianos (à dir.) em fazenda da Symbiosis em Porto Seguro (BA) - Gabriel Gama/Folhapress