O projeto Muçununga vai beneficiar 14 comunidades locais Foto: Biomas/DivulgaçãoUm projeto de restauração florestal na Bahia vai receber R$ 87,2 milhões do Fundo Clima, veículo gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, para financiar ações de mitigação dos efeitos das mudanças climáticas. Serão plantadas mais de 2 milhões de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica em 1,3 mil hectares de áreas degradadas no sul da Bahia. A expectativa é que o empreendimento gere aproximadamente 500 mil créditos de carbono ao longo de 40 anos. A faixa de preço que o projeto espera alcançar vai de US$ 50 a US$ 95 por crédito, segundo Fabio Sakamoto, presidente da empresa Biomas.PUBLICIDADEA companhia e a Carbon2Nature Brasil são responsáveis pela implementação do projeto, lançado há um ano com investimento próprio das duas empresas. A Biomas foi criada no fim de 2022 e tem como sócios Itaú, Marfrig, Rabobank, Santander, Suzano e Vale. Atua em restauração ecológica em larga escala e no mercado voluntário de créditos de carbono. A Carbon2Nature Brasil é uma joint venture da Neoenergia, controlada pelo grupo espanhol Iberdrola, e a Carbon2Nature, empresa também espanhola especializada em soluções baseadas na natureza (NBS, na sigla em inglês) para geração de créditos de carbono.Eduardo Capelastegui, presidente da Neoenergia, conta que o projeto mira grandes compradores de crédito de carbono, especialmente empresas do setor de tecnologia e data centers, que demonstram forte apetite por créditos voluntários de alta qualidade e integridade.Os recursos do empréstimo do Fundo Clima substituem a maior parte do aporte de R$ 55 milhões, inicialmente previsto para o projeto pelos sócios, e inclui o capital de giro necessário para manter o empreendimento até 2029, quando começa a geração de receita. Antes do financiamento, os acionista haviam aportado R$ 15 milhões.O plantio está sendo feito em áreas da Veracel Celulose, o que traz uma facilidade. O empreendimento não terá de lidar com problemas fundiários, como documentação incompleta ou desatualizada, o que ocorre com alguma frequência e toma tempo de empreendedores na área rural.PublicidadeApoio das comunidades é fundamentalUm desafio enfrentado pelas empresas parceiras é contar com o apoio das comunidades das oito cidades baianas onde o projeto vai ser executado. Uma das grandes preocupações de qualquer reflorestamento é evitar e combater incêndios, coibir invasões e manter a nova floresta em pé. Nessas e em outras situações, o apoio dos moradores do entorno é fundamental. Segundo a Biomas, o projeto Muçununga vai beneficiar 14 comunidades locais com ações voltadas ao bem-estar, à geração de renda, à melhoria da infraestrutura e ao fortalecimento comunitário.Envolver a comunidade da região é um esforço que também ajuda os desenvolvedores a qualificar o crédito de carbono como de alta integridade. Ao beneficiar as pessoas do entorno, um projeto gera impacto social positivo, além do resultado ambiental óbvio. E créditos classificados dessa forma conseguem, geralmente, valores mais altos no mercado voluntário.Outro esforço trata de regenerar a área degradada com espécies nativas, um tema que ainda é debatido globalmente, segundo a MSCI Carbon Markets. Em um estudo, a empresa apontou que apenas 1% dos projetos globais de restauração florestal usa mais de dez espécies nativas. O levantamento mostrou também que 22% dos projetos analisados são monoculturas, opção que desfavorece a biodiversidade vegetal e animal da região.Mais de 100 espécies foram mapeadasNo projeto Muçununga, foram mapeadas mais de cem espécies nativas da Mata Atlântica para serem plantadas de forma estratégica e usando o conceito ecológico de stepping stones, ou “ilhas de conexão”, em português. Por essa estratégia, as áreas de vegetação nativa plantadas funcionam como pontos de conexão em uma paisagem bastante fragmentada. Essas ilhas favorecem o surgimento de habitats e corredores para espécies da região. A expectativa é favorecer algumas espécies animais e vegetais ameaçadas de extinção, como o macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos) e o pau-brasil (Paubrasilia echinata).“Outro fator que também faz com que o crédito gerado em Muçununga seja de alta qualidade é o fato de o projeto ser 100% voltado à restauração, sem nenhuma outra atividade econômica envolvida. Isso traz uma adicionalidade para o carbono”, afirmou Sakamoto à Coluna.PublicidadeEsta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 29/05/2026, às 06:00A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão.Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse.