O CFM (Conselho Federal de Medicina), a AMB (Associação Médica Brasileira) e a SBA (Sociedade Brasileira de Anestesiologia) divulgaram, nesta quinta-feira (30), uma nota conjunta de repúdio à resolução do CFO (Conselho Federal de Odontologia) que autoriza cirurgiões-dentistas a aplicar sedação profunda por via endovenosa em consultórios, clínicas e em atendimento domiciliar (home care).

As entidades afirmam que vão recorrer à Justiça para suspender a norma, uma vez que a Resolução CFO nº 295/2026 "usurpa competências médicas" e expõe a população a "riscos críticos de morbimortalidade". Dizem que vão representar ao MPF (Ministério Público Federal) contra dirigentes do CFO.

Acrescentam ainda que a transição entre sedação moderada, profunda e anestesia geral é "fluida, volátil e incontrolável", e que a condução por profissionais sem formação médica aumenta o risco de óbitos e danos neurológicos.

O CFO foi procurado por email e não retornou até a publicação da reportagem.

A resolução, em vigor desde 10 de julho, cria duas habilitações para dentistas. A básica permite sedação mínima e moderada, mas veda a via endovenosa e a sedação em pacientes ASA IV —categoria que anestesiologistas usam para identificar pessoas com doenças graves que representam risco constante à vida, como insuficiência cardíaca severa.