Governo espanhol se destaca na Europa por sua postura favorável aos migrantes e recentemente lançou programa para conceder status legal a cerca de 500 mil imigrantes em situação irregular Centenas de migrantes invadem a nado enclave espanhol partindo do Marrocos — Foto: Jose Antonio Sempere/AP Migrantes romperam as cercas da fronteira e entraram no enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, vindos do Marrocos nesta quinta-feira, depois de sobrecarregarem a polícia no quebra-mar da cidade, informou a Guarda Civil da Espanha. Imagens em vídeo mostraram centenas de migrantes atravessando o mar a nado a partir do lado marroquino usando câmaras de ar infláveis e outros dispositivos de flutuação, enquanto outros romperam um portão na cerca da fronteira e correram em direção à cidade. A cena lembrou a travessia de maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas vindas do Marrocos e da África Subsaariana, muitas delas menores de idade, entraram em poucos dias no enclave, que tem cerca de 85 mil habitantes. Um porta-voz da Guarda Civil afirmou que os migrantes estavam "entrando em massa pelo mar" por meio do quebra-mar de Tarajal, mas não pôde fornecer uma estimativa do número de pessoas. A televisão estatal TVE informou que entre 2.000 e 3.000 pessoas cruzaram a fronteira. A Reuters não conseguiu confirmar imediatamente essa informação. Moradores temem distúrbios Muitas lojas permaneceram fechadas. Enrique Serrano, proprietário de uma loja de roupas femininas no centro de Ceuta, disse à Reuters que comerciantes estavam se organizando para proteger seus estabelecimentos e suas famílias diante da possibilidade de distúrbios, por acreditarem que os recursos policiais seriam insuficientes. "Não vou abrir esta tarde porque a situação é extremamente tensa... A primeira coisa que preciso fazer é proteger meu negócio e minha família", disse. Segundo ele, quando a cerca foi rompida pouco depois da meia-noite, centenas de migrantes atravessaram a fronteira em questão de minutos. Ceuta, juntamente com Melilla — outra cidade autônoma espanhola localizada no Norte da África —, representa a única fronteira terrestre da União Europeia com a África. As duas cidades enfrentam periodicamente ondas de tentativas de travessia por migrantes que buscam chegar à Europa. Imagens mostraram alguns dos migrantes gritando "Viva a Espanha" ao entrarem no território. Migrantes atravessam a fronteira de Marrocos para o enclave espanhol de Ceuta, na quinta-feira, 30 de julho de 2026 — Foto: AP/Antonio Sempere Governo local pede decretação de estado de emergência O governo socialista da Espanha se destaca na Europa por sua postura favorável aos migrantes e recentemente lançou um programa para conceder status legal a cerca de 500 mil imigrantes em situação irregular, provocando um volume de pedidos equivalente ao dobro desse número. Partidos de direita criticaram a iniciativa, argumentando que ela atrairia mais migrantes para a Espanha, e rapidamente responsabilizaram o primeiro-ministro Pedro Sánchez por permitir que a situação em Ceuta chegasse a um ponto de crise. O líder do conservador Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, escreveu na rede X: "A situação em Ceuta é desesperadora. O governo não pode fingir que não vê... Estamos diante de uma crise de segurança nacional." Também na rede X, Sánchez afirmou que informou ao presidente do governo de Ceuta, Juan Jesús Vivas, que seu governo está "totalmente concentrado" em oferecer uma resposta imediata e preparar medidas para restabelecer a normalidade o mais rápido possível, sem dar mais detalhes. Mais cedo nesta quinta-feira, Vivas pediu ao governo central que decretasse estado de emergência devido à chegada em massa de migrantes. O governo regional quer que Madri envie o Exército para garantir a segurança e feche a fronteira com o Marrocos. O Ministério da Defesa afirmou que, por enquanto, não há planos para mobilizar as Forças Armadas. No início deste mês, a Suprema Corte da Espanha decidiu que migrantes interceptados no mar ao tentar chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos sumariamente com base no regime especial de rejeição na fronteira aplicado aos enclaves. "Desde a decisão da Suprema Corte havia um fluxo gradual, mas hoje houve uma explosão", disse o porta-voz da Guarda Civil à Reuters. O Ministério do Interior afirmou que está trabalhando em estreita coordenação com o Marrocos para conter o aumento das entradas irregulares, acrescentando que milhares de migrantes foram impedidos de entrar ilegalmente em Ceuta nos últimos dias. A pasta prometeu deportar imediatamente todos os que entrarem ilegalmente no país e acusou redes de tráfico de pessoas de explorar a decisão da Suprema Corte para incentivar a migração irregular. O Ministério do Interior do Marrocos não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O ativista pelos direitos dos migrantes Zakaria Zarroqui afirmou que pessoas continuam chegando à cidade marroquina de Fnideq na tentativa de atravessar para Ceuta e que a situação permanece fora de controle. Mauricio Valiente, diretor da Comissão Espanhola para Refugiados, que mantém advogados trabalhando em Ceuta, disse que os migrantes que cruzaram para o enclave são marroquinos e oriundos da África Subsaariana, incluindo famílias com pessoas de diferentes idades. Embora tenha reconhecido que a situação é caótica, ele afirmou que ela "pode ser perfeitamente administrada pelo Estado espanhol", que dispõe de capacidade suficiente para receber aqueles que possam solicitar asilo. Migrantes cruzam fronteira para o enclave espanhol de Ceuta, em julho 30 de julho de 2026 — Foto: AP/Antonio Sempere
Centenas de migrantes invadem a nado fronteira para cidade da Espanha
Governo espanhol se destaca na Europa por sua postura favorável aos migrantes e recentemente lançou programa para conceder status legal a cerca de 500 mil imigrantes em situação irregular










