A abertura do mercado livre de energia para consumidores residenciais, prevista para 2028, pode não entregar a principal promessa da mudança: contas de luz mais baratas.

Se distorções na formação dos preços da eletricidade e no modelo de negócio das comercializadoras de energia não forem corrigidas, o consumidor corre o risco de ganhar o direito de escolher de quem comprar energia apenas na letra da lei, afirma Luiz Fernando Leone Vianna, vice-presidente institucional e regulatório do grupo Delta, comercializadora de energia.

"Não sabemos como vai ser esse preço lá em 2028 quando todo o mercado estiver livre porque temos hoje uma deformação na formação do preço", diz Vianna. "Na prática, podemos ter uma abertura de mercado de direito e não de fato."

Prevista em lei, a abertura permitirá que consumidores residenciais deixem de comprar energia exclusivamente da distribuidora que atende sua região e passem a contratar o serviço de qualquer empresa que ofereça melhores condições. Bancos, operadoras de telefonia e outras companhias com atuação no varejo poderão disputar esse mercado.

A expectativa é que consumidores negociem preços e prazos de fornecimento da mesma forma que hoje contratam planos de telefonia ou internet, inclusive por aplicativos de celular.