A abertura do mercado livre de energia avança a galope. A Lei 15.269, de 2025, estabelece o cronograma: consumidores industriais e comerciais poderão migrar até 2027 e todos os demais —inclusive as residências— até o final de 2028.
Hoje, pouco menos de 100 mil consumidores contratam energia no mercado livre. Em menos de dois anos, esse universo poderá alcançar dezenas de milhões de unidades consumidoras na baixa tensão. Poucas mudanças regulatórias ampliarão tanto um mercado em tão pouco tempo.Esta transformação depende de um ator ainda pouco conhecido dos brasileiros: o comercializador varejista. Caberá a ele orientar a migração dos consumidores e administrar seus contratos de energia.
Para competir, porém, precisará conhecer o perfil de consumo de cada cliente para desenhar contratos adequados às necessidades de cada um e às possibilidades de ajustar a demanda no tempo em resposta a mudanças nos preços. Essa informação permanece, hoje, concentrada nas distribuidoras —na prática, trata-se de barreira à entrada.
Em mercados liberalizados, a concorrência muda a forma de criar valor. A eletricidade continua sendo a mesma commodity. O diferencial competitivo passa a ser a capacidade de transformar informações sobre consumo em contratos mais aderentes ao perfil de cada consumidor, precificar riscos com maior precisão e desenvolver novos serviços. Quanto mais intensa a concorrência, maior o valor econômico desses dados.Sem acesso a essas informações, novos comercializadores precificam mal seus contratos, inovam menos e competem em desvantagem. Consumidores, por sua vez, permanecem presos a ofertas padronizadas, incapazes de refletir suas preferências de consumo. O Open Energy nasce justamente para reduzir essa assimetria informacional.







