O ano era 2004. O Brasil, que vinha de uma crise no fornecimento de eletricidade, inaugurava um formato de sucesso na compra de energia: leilões organizados pelo governo federal para contratar a longo prazo usinas já existentes e construir novas plantas —tudo bancado pelo consumidor. Mas 12 anos depois, com matriz elétrica e mercado de energia já mudados, especialistas começam a discutir a possível remodelagem desses certames.
O início da discussão passa pela mudança do perfil do consumidor. Atualmente, mais de 40% de toda a eletricidade consumida no país é comercializada no mercado livre de energia, um sistema no qual indústrias e grandes estabelecimentos compram energia mais barata diretamente de geradores solares e eólicos, com descontos bancados por consumidores residenciais. Além disso, outros 6% são gerados por donos de placas solares instaladas em telhados, que também contam com uma série de subsídios.
Com tanta energia paralela colocada no mercado, agora é o consumidor residencial que paga pela existência do mercado formal. Além dos subsídios criados em legislações, ele precisa arcar com os contratos de longo prazo feitos a partir dos leilões organizados pelo governo. Como a Folha mostrou na semana passada, o preço da conta de luz residencial subiu exponencialmente nos últimos anos e deve fechar 2026 mais uma vez acima do IPCA, o principal índice de inflação do país.






