Em um momento em que as estratégias de prevenção contra o HIV brilham como nunca, com injeções semestrais e a promessa de um comprimido mensal, um estudo publicado nesta semana na revista Nature e divulgado durante a conferência internacional de Aids no Rio de Janeiro trouxe um lembrete silencioso de que a ciência não desistiu do objetivo mais ambicioso: uma vacina.
O trabalho descreve o que os autores chamam de primeira demonstração de que uma vacina baseada em uma nova estratégia ("germline-targeting") consegue induzir anticorpos amplamente neutralizantes contra o HIV circulando no sangue de animais vacinados —não apenas em células de memória, como haviam mostrado estudos anteriores.
A pesquisa, conduzida por pesquisadores do Scripps Research Institute, da Califórnia (EUA), e da IAVI (International Aids Vaccine Initiative), com participação do Fred Hutchinson Cancer Center e da Emory University, foi feita em macacos-rhesus.
A dificuldade histórica em desenvolver uma vacina contra o HIV está na altíssima variabilidade genética do vírus. A estratégia tenta contornar isso ensinando o sistema imunológico, em etapas, a produzir os chamados anticorpos amplamente neutralizantes, moléculas raras encontradas naturalmente em algumas pessoas com HIV, capazes de neutralizar múltiplas variantes do vírus ao mirar regiões que ele não consegue modificar facilmente.













