Resistência de siglas em apoiar senador dificulta definição da chapa Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Tereza Cristina (PP-MS), que — Foto: Roque de Sá/Agência Senado O candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), teve ao menos dez nomes cogitados por seu partido e aliados para ocupar a vice, mas ainda não conseguiu definir com quem dividirá sua chapa. Desde que sua pré-candidatura foi lançada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em dezembro, Flávio e aliados defenderam a escolha de um vice que ampliasse o eleitorado do parlamentar. No entanto, há vetos dos partidos do Centrão, que resistem a apoiar o filho de Bolsonaro e preferem manter-se neutros na disputa presidencial, além da resistência da família Bolsonaro, do PL e dos próprios políticos que foram cotados para compor a chapa. Entre os nomes defendidos publicamente pelo senador e interlocutores estão a senadora Tereza Cristina (PP-MS); a ex-presidente da Caixa Daniella Marques (Republicanos); as deputadas Simone Marquetto (PP-SP), Julia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF); a vereadora de Fortaleza Priscilla Costa (PL) e a senadora Damares Alves (Republicanos). Mesmo com a preferência por uma mulher, foram cotados também os senadores do PL Marcos Pontes (SP) e Rogério Marinho (RN) e o ex-ministro Gilson Machado (Podemos). A pouco mais de duas semanas para o início oficial da campanha nas ruas e na internet, o PP e o Republicanos pretendem manter a neutralidade, o que dificulta a indicação de Tereza Cristina, Simone Marquetto e Daniella Marques. Em meio a brigas com a família Bolsonaro, Damares Alves afastou-se da campanha de Flávio. Priscilla Costa, vista como o “pivô” da crise de Michelle com Flávio por conta da aliança eleitoral no Ceará, já foi descartada pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por não "trazer votos" para o presidenciável. Júlia Zanatta e Bia Kicis tampouco são visas dentro do partido como nomes que ampliariam o eleitorado de Flávio. Ex-ministro do governo Jair Bolsonaro, conhecido como “sanfoneiro”, Gilson Machado desgastou-se no PL, deixou o partido, filiou-se ao Podemos e deve concorrer ao Legislativo por Pernambuco. Marcos Pontes já se colocou à disposição e é tido como um possível “plano B”, assim como Rogério Marinho, que está no comando da campanha de Flávio. Os dois senadores, no entanto, também não são vistos como postulantes que poderiam atrair setores de centro e mulheres para a candidatura do filho de Bolsonaro. Nessa conta, não foi incluída a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), que era cotada como eventual vice do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa pela Presidência. O nome de Michelle chegou a circular entre lideranças do PL para a chapa de Flávio. A avaliação era de que Michelle poderia ser candidata no lugar de Flávio, caso o senador enfrentasse um forte desgaste político perto das eleições e desistisse da disputa. A hipótese de uma candidatura de Michelle, como vice do senador, no entanto, foi logo descartada pela família Bolsonaro. A pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada na sexta-feira (24), mostra que Flávio ainda enfrenta dificuldades para ampliar seu apoio entre as mulheres. Em um eventual segundo turno, Lula tem 50% dos votos das mulheres e Flávio, 40% – no cenário geral, o presidente tem 48% e Flávio, 43%. Flávio deve fazer uma chapa “puro sangue”, com um indicado por seu próprio partido, sem ampliar o leque de alianças. Uma coligação maior lhe daria mais recursos do fundo partidário, mais tempo na propaganda eleitoral no rádio e na televisão e mais capilaridade na disputa em Estados e municípios. As convenções partidárias, ato em que as legendas anunciam as candidaturas, precisam ser realizadas até a próxima quarta-feira (5 de agosto). No dia 15 de agosto acaba o prazo para que os partidos, federações e coligações registrem formalmente suas candidaturas junto à Justiça Eleitoral e no dia seguinte começa, oficialmente, a campanha nas ruas e na internet. Senador Flávio Bolsonaro e Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, participam de live para apresentar plano voltado a mulheres — Foto: Reprodução/YouTube - Flávio Bolsonaro