Aquecimento rápido seguido de resfriamento busco. Bem, se eu saí do calor parisiense para a neve do Cerro Chapelco, na região argentina de Neuquén… eu posso dizer que fui pasteurizado?

A mudança não foi tão bruta assim, admito. Entre esses dois destinos, fiz uma rápida escala em Paraty para fingir mais uma vez que sou DJ na festa desta Folha, na noite de sábado da Flip.

Mas na última segunda já estava sobrevoando a Patagônia para chegar a San Martín de los Andes e lembrar como é um inverno de verdade. E com neve. Muita neve.

Largado no meio de uma floresta pintada de branco com aquele silêncio que uma nevasca estranhamente traz, de repente me vi longe, bem longe, da onda de calor que atravessa a França, que para além da "canicule" que assola a capital ainda trouxe queimadas por todo o país.

Deitado numa cama macia e gelada, olhando as copas das árvores cobertas de gelo e ouvindo, inevitavelmente, a trilha sonora da temporada, o novo álbum de Charli XCX, "Music, Fashion, Film", encontrei uma paz que não experimentava há muito tempo numa paisagem alva e fria que nós, brasileiros, tanto estranhamos e buscamos.