Quando fui morar em Nova York, correspondente júnior desta Folha, em 1989, Paulo Francis, então correspondente sênior e tutor informal dos promissores talentos do jornal que lá desembarcavam, me alertou: "Prepare-se para o pior verão da sua vida".

Cheguei no auge do inverno e o recado de Francis me pareceu improvável. "Sou brasileiro", respondi gaiato. Ele me ignorou: "A sensação aqui em julho é a de que você anda na rua e tem uma vaca no seu pescoço soltando um bafo".

Lembrei-me dessa história assim que cheguei domingo em Paris. Já pela manhã da última segunda-feira, era como se a vaca baforenta tivesse desembarcado comigo.

Nunca havia experimentado um calor tão intenso na cidade. Em 2024, por exemplo, a cidade derretia em meio aos Jogos Olímpicos, mas a energia das competições nos trazia uma sensação refrescante.

Sim, sofri um leve "coup de chaleur" (até "insolação" fica mais elegante em francês!) após torrar na plateia do torneio de tênis em Roland Garros. Mas a temperatura era um inconveniente menor quando você presenciava um vôlei de praia à sombra da Torre Eiffel.