Em uma manhã de sol tímido, turistas encasacados visitam a sinuosa rua Torta, em Gramado, na serra do Rio Grande do Sul. Casais posam para fotógrafos profissionais contratados para o passeio. Um músico executa hits românticos no violoncelo.
À noite, em uma feira de colonos distante do centro, é como se a cidade mudasse de personalidade. Pequenos agricultores, famílias locais e uma porção menor de turistas dançam um animado fandango, em festa regada a polenta frita e doses generosas de graspa, o destilado do bagaço da uva.
Enquanto municípios investem em publicidade para mostrar algum diferencial e alavancar o turismo, Gramado se esforça para ser vista como uma cidade comum da serra do Rio Grande do Sul. Busca redescobrir a identidade de um município que pensou no turismo em cada passo que deu —do minucioso paisagismo dos canteiros à pavimentação de ruas.
A mudança de marca é desenhada pela prefeitura com o setor do turismo, responsável por 86% da economia da cidade, segundo o secretário da pasta.
Natais iluminados, museus de cera, parques temáticos e neves artificiais criaram o perfil de uma Gramado que, até aqui, não se furtou em produzir cópias.









