Atividade resiliente da economia americana e incertezas sobre os impactos da guerra entre EUA e Irã basearam decisão 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, o banco central americano — Foto: Bloomberg O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa de juros dos Estados Unidos na faixa entre 3,5% e 3,75% pela quinta reunião seguida, como era amplamente esperada pelos investidores. Houve dissidência: três diretores votaram pela alta do juro americano, enquanto nove diretores optaram pela manutenção. O mercado esperava duas discordâncias. Em mais um comunicado curto, a autoridade monetária americana afirmou que "a atividade econômica (americana) continua se expandindo em ritmo sólido, apesar da elevada incerteza decorrente, em parte, do conflito no Oriente Médio", e que a inflação continua elevada, acima da meta de 2%. Ainda assim, os diretores reforçam que vão assegurar "a estabilidade de preços". De acordo com a plataforma FedWatch, que calcula as chances do movimento através de contratos negociados no mercado, a manutenção do atual patamar de juros na reunião de hoje era esperada por 65% dos operadores na manhã desta quarta-feira. Os outros 35% estimavam uma alta no juro em 0,25 ponto percentual. Como definido pelo novo mandatário da autoridade monetária na última reunião, Kevin Warsh, o comunicado foi curto, em linha com o que estimou o banco americano Citi em relatório: “Esperamos que Warsh mantenha sua estratégia de deliberadamente não fornecer qualquer orientação sobre a trajetória futura dos juros nem explicar como o Fed reagiria a diferentes cenários”. Como a decisão nos EUA afeta o Brasil? A decisão sobre o juro americano tem impacto global. Isso porque a taxa calibra o valor do dólar e, consequentemente, impacta moedas e investimentos em todo mundo. Quando a taxa americana está alta, parte volumosa do capital global vai para os Estados Unidos, já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Os títulos do Tesouro americano tendem a ficar mais atraentes, drenando os investimentos espalhados em todo o mundo. Com menos dólares nos países, o preço da moeda aumenta. Por outro lado, com um ciclo de queda do juro por lá, o capital global começa a buscar aplicações que possam render mais. E países emergentes, como o Brasil, se tornam mais atraentes para o destino deste capital. Este, por exemplo, foi um dos fatores do ingresso firme dos estrangeiros entre a segunda metade do ano passado e os dois primeiros meses deste ano. Além disso, diante da manutenção do juro por lá e com a Taxa Selic (taxa básica de juros brasileira, atualmente em 14,25% ao ano) ainda em patamar restritivo por aqui (a decisão do BC só acontece na semana que vem), este diferencial de juros extenso favorece uma operação conhecida como carry trade: o investidor toma dinheiro emprestado num país onde os juros são baixos e aplica em outro no qual a taxa é elevada, caso brasileiro. (reportagem em atualização)
Fed mantém taxa de juros inalterada pela quinta vez seguida, entre 3,5% e 3,75%
Atividade resiliente da economia americana e incertezas sobre os impactos da guerra entre EUA e Irã basearam decisão













