Quarta manutenção seguida era amplamente esperada por investidores, diante de aumento dos preços no país provocado pela extensão do conflito no Irã 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Kevin Warsh, presidente do Federal Reserve, o banco central americano — Foto: Bloomberg RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 17/06/2026 - 15:14 Fed mantém taxa de juros nos EUA; Warsh promete nova comunicação O Fed manteve a taxa de juros dos EUA entre 3,5% e 3,75%, em decisão unânime na primeira reunião sob Kevin Warsh. A manutenção era esperada, dadas as tensões no Irã que pressionam a inflação, agora projetada em 3,6% para 2023. A decisão impacta globalmente, influenciando o valor do dólar e investimentos. Warsh promete reformular a comunicação do Fed, com investidores atentos às futuras direções monetárias. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) manteve a taxa de juros do país na faixa entre 3,5% e 3,75% pela quarta reunião seguida. Esta é a primeira decisão do comitê de política monetária dos Estados Unidos com a presidência de Kevin Warsh, indicado pelo presidente Donald Trump e que tomou posse em maio. A decisão foi unânime. De acordo com o comunicado, nove dos 19 participantes do Comitê de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) veem a possibilidade de uma alta nos juros dos EUA ainda em 2026. O Fed reafirmou que "entregará estabilidade de preços" e o viés de que uma flexibilização das taxas estaria no radar foi retirado. A projeção mediana para a inflação neste ano saltou para 3,6%, ante 2,7% anteriormente. A estimativa para o chamado núcleo da inflação em 2026, que exclui os componentes mais voláteis de alimentos e energia, também aumentou, para 3,3%, contra 2,7% na projeção de março. Chamou a atenção o fato de apenas 18 dos 19 integrantes terem apresentado suas projeções para os juros ao fim de 2026. A ausência de uma estimativa sugere que o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, crítico do chamado forward guidance (sinalização dos próximos passos da trajetória dos juros), optou por não divulgar sua previsão. Os diretores também destacaram o forte crescimento da produtividade e dos investimentos em capital, mas revisaram para baixo a previsão do PIB americano, para 2,2%, ante 2,4% na projeção de março. O comunicado foi mais curto do que os textos divulgados após reuniões recentes. A concisão pode sinalizar uma nova abordagem sob Warsh, que prometeu reformular a estratégia de comunicação do banco central. O movimento de manutenção era amplamente esperado pelo mercado. Momentos antes da decisão, a plataforma FedWatch previa em 100% as chances de estagnação. A decisão acontece durante a possível trégua entre Estados Unidos, Israel e Irã, no Oriente Médio, que chegou aos 100 dias. No último fim de semana, Donald Trump afirmou que um acordo estava próximo, e a previsão é de que o acordo — que prevê um cessar-fogo por 60 dias e a reabertura do Estreito de Ormuz — seja assinado na próxima sexta-feira. O preço barril do petróleo, que ficou pressionado durante todo o período de instabilidades, já opera abaixo dos US$ 80 nesta semana. Todas as atenções estarão voltadas para a primeira entrevista coletiva de Warsh, que acontece meia hora após o anúncio da taxa. Investidores estarão em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária. As declarações dele, segundo o banco americano J.P.Morgan, “são o maior risco”, disse em relatório. Se antes o mercado de trabalho acendia alguma luz de preocupação, as atenções do comitê, agora, devem estar voltadas à escalada da inflação, que segue acima da meta de 2% desde a pandemia, e teve um salto após o conflito no Irã. O galão da gasolina nos EUA, por exemplo, saiu de US$ 2 para US$ 4, e o BTG Pactual estima que a próxima leitura do PCE, índice de inflação olhado de perto pelo Fed, deve alcançar os 4% nos últimos doze meses. Decisão tem impacto global A decisão sobre o juro americano tem impacto global. Isso porque a taxa calibra o valor do dólar e, consequentemente, impacta moedas e investimentos em todo mundo. Quando a taxa americana está alta, parte volumosa do capital global vai para os Estados Unidos, já que o país é considerado um dos mais seguros do mundo para aplicações. Os títulos do Tesouro americano tendem a ficar mais atraentes, drenando os investimentos espalhados em todo o mundo. Com menos dólares nos países, o preço da moeda aumenta. Por outro lado, com um ciclo de queda do juro por lá, o capital global começa a buscar aplicações que possam render mais. E países emergentes, como o Brasil, se tornam mais atraentes para o destino deste capital. Este, por exemplo, foi um dos fatores do ingresso firme dos estrangeiros entre a segunda metade do ano passado e os dois primeiros meses deste ano. Além disso, diante da manutenção do juro por lá e a Taxa Selic ainda em patamar restritivo por aqui — em que as apostas veem uma redução para 14,25% ao ano nesta quarta-feira —, este diferencial de juros extenso favorece uma operação conhecida como carry trade: o investidor toma dinheiro emprestado num país onde os juros são baixos e aplica em outro no qual a taxa é elevada, caso brasileiro. (com Bloomberg News)