Blatter, que presidiu a Fifa por 17 anos até 2015, afirmou que a ideia apresentada por seu sucessor, Gianni Infantino, levaria a comercialização do esporte longe demais Blatter: “O futebol não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição. Ele pertence ao povo” — Foto: Associated Press O ex-presidente da Fifa Sepp Blatter criticou, nesta quarta-feira (29), os planos da entidade máxima do futebol mundial de criar uma subsidiária de US$ 20 bilhões para administrar a Copa do Mundo, afirmando que o torneio não é um ativo comercial pertencente a um pequeno grupo de executivos. Blatter, que presidiu a Fifa por 17 anos até 2015, afirmou que a ideia apresentada por seu sucessor, Gianni Infantino, levaria a comercialização do esporte longe demais. “O futebol não pertence a nenhum indivíduo nem a nenhuma instituição. Ele pertence ao povo”, disse Blatter, de 90 anos, à Reuters. “Se a Fifa fosse transformada em uma estrutura corporativa orientada ao lucro, perderia sua alma”, acrescentou, observando que jamais teria considerado uma medida desse tipo quando estava no comando da entidade. A Fifa informou, na terça-feira (28), que pretende criar uma subsidiária para administrar a Copa do Mundo e seus outros eventos, oferecendo participações de até 20% a investidores externos. A proposta provocou uma reação indignada de dirigentes do futebol, incluindo a Uefa, entidade que governa o futebol europeu, que afirmou que a Fifa está colocando o esporte à venda. Blatter frequentemente entrou em conflito com Infantino, também suíço, que assumiu a presidência da Fifa em 2016, após escândalo de corrupção encerrar o mandato de seu antecessor. Posteriormente, Blatter foi inocentado das acusações de corrupção. Ele também criticou a decisão de conceder a Copa do Mundo de 2034 à Arábia Saudita e a ampliação do torneio deste ano para 48 seleções. “A Copa do Mundo da Fifa não é um ativo comercial que pertence a um punhado de executivos”, afirmou Blatter. “Ela faz parte do patrimônio cultural do futebol mundial. A Fifa é a guardiã da Copa do Mundo, e não sua proprietária. Há uma diferença fundamental." Segundo Blatter, a influência de investidores em busca de lucro é incompatível com associações que atuam em defesa dos interesses de seus membros. Ele acrescentou que a ligação do futebol com o público é o que sustenta o esporte há mais de um século. “Esse princípio jamais deveria mudar”, afirmou. Blatter disse que os verdadeiros pilares do futebol são os clubes, jogadores, técnicos, árbitros e torcedores, e que o papel da Fifa é administrar o esporte, organizar competições e redistribuir receitas. “Os beneficiários devem ser o próprio futebol — desde a base até o mais alto nível internacional — e não investidores externos em busca de retorno financeiro”, afirmou Blatter.
Blatter, ex-presidente da Fifa, critica plano de vender participação na Copa do Mundo a investidores
Blatter, que presidiu a Fifa por 17 anos até 2015, afirmou que a ideia apresentada por seu sucessor, Gianni Infantino, levaria a comercialização do esporte longe demais










