A Uefa emitiu um novo comunicado nesta quarta-feira reforçando sua oposição ao plano da Fifa de abrir parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo para investidores privados. A federação europeia afirmou que a entidade "não pode usar nosso esporte para continuar enriquecendo a si própria e seus aliados", e que o foco deve ser desenvolver o futebol da "maneira correta". — Após conversar com diversos envolvidos no futebol, a Uefa sabe que há uma oposição significativa e crescente ao projeto da Fifa. A Fifa não pode continuar usando o nosso esporte para enriquecer a si própria e aos seus aliados. Podemos desenvolver o futebol da maneira correta. É hora de priorizar as associações, os clubes, as ligas, os jogadores e os torcedores — publicou a Uefa. Hoje tomamos conhecimento do prazo estabelecido pela Fifa para que as associações apoiem suas propostas ou tenham retirada a oferta de um pagamento único. Isso diz tudo o que é preciso saber sobre esse plano. Após conversar com diversos envolvidos no futebol, a Uefa sabe que há uma oposição significativa e crescente ao projeto da Fifa. A Fifa não pode continuar usando o nosso esporte para enriquecer a si própria e aos seus aliados. Podemos desenvolver o futebol da maneira correta. É hora de priorizar as associações, os clubes, as ligas, os jogadores e os torcedores. Aleksander Ceferin (à direita), da Uefa, ao lado de Gianni Infantino, da Fifa — Foto: Reprodução/Instagram A primeira reação Em um primeiro comunicado divulgado na terça-feira, a Uefa tinha afirmado que o plano da Fifa "ultrapassa uma linha que as instituições do futebol jamais deveriam cruzar". — A alma e a governança do futebol não são ativos para negociação. Nenhum de nós é dono do futebol. Não cabe à Fifa vendê-lo — afirmou a Uefa. Já nesta quarta-feira, a Federação Inglesa, a Concacaf — confederação que reúne as federações de futebol da América do Norte, Central e Caribe, e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) se juntaram à Uefa e aumentaram a pressão contra o plano da Fifa. Entenda o plano da Fifa Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, e Gianni Infantino, presidente da Fifa — Foto: Andrew Harnik/Getty Images/AFP A Fifa pretende criar a FIFA Forward Enterprise (FFE), uma subsidiária responsável pela gestão comercial de competições como a Copa do Mundo, o Mundial de Clubes e torneios de base. A nova empresa teria valor de mercado estimado em US$ 20 bilhões, o equivalente a R$ 102,6 bilhões, e poderá vender até 20% de participação a investidores privados para captar US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões). A entidade estuda vender participações comerciais do torneio a um grupo de investidores privados que inclui Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro e ex-conselheiro sênior de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. A proposta prevê a criação de uma empresa subsidiária da Fifa, que será responsável por administrar os direitos comerciais da Copa do Mundo e da Copa do Mundo de Clubes. O objetivo seria ampliar as receitas da entidade e atrair capital privado para as principais competições. Em comunicado, a Fifa informou que Joshua Kushner, CEO da empresa de investimentos de capital Thrive Eternal, é cotado para liderar o grupo de investidores interessado na operação. Porém, seu irmão, Jared não faz parte do grupo de investidores. Outros players importantes do mercado financeiro americano estão no projeto, como o JP Morgan, que vem atuando como assessor financeiro da Fifa e irá analisar toda proposta. A estruturação do projeto conta ainda com a participação de Greg Maffei, CEO da BANN Ventures e ex-presidente e CEO da Liberty Media, dona da Fórmula 1. Segundo o Times, a aproximação entre Gianni Infantino, presidente da Fifa, e o entorno de Trump se intensificou durante o Mundial de 2026, realizado nos Estados Unidos, Canadá e México, período em que o dirigente da Fifa foi frequentemente visto ao lado do presidente americano. A iniciativa também é apontada como um passo importante para o futuro de Infantino após o fim de seu atual mandato. O dirigente é favorito para ser reeleito em 2027 e, segundo o jornal, poderá assumir o comando da nova empresa quando deixar a presidência da Fifa, em 2031. A aprovação do projeto, no entanto, depende da aprovação da maioria das 211 associações-membro e do Conselho da Fifa. O projeto foi apresentado por Infantino aos membros e conselheiros na véspera da final da Copa do Mundo, em um evento em Nova York. A Fifa garantiu que a participação dos investidores será sempre minoritária (entre 20% e 30% das ações). A entidade também manterá controle exclusivo sobre a FFE, como a organização das competições, o calendário internacional das partidas e todas as decisões regulatórias e esportivas.