Novos contratos já preveem medidas de mitigação, como pontes e túneis Milhões de animais são atropelados nas rodovias e ferrovias brasileiras todo ano. Levantamento mais recente sobre o tema, realizado em 2022 por um grupo de especialistas de diversas universidades brasileiras, aponta que chega a 9 milhões o número de mortes por atropelamento de mamíferos de médio e grande porte. Diante desse quadro, empresas passaram a adotar medidas de proteção em estradas, nos trilhos e no mar. A bióloga Fernanda Abra, sócia-diretora da ViaFauna, consultoria de fauna e transportes, observa que os novos contratos de concessão rodoviária e ferroviária já contam com medidas de mitigação, como pontes suspensas, radares e túneis, para evitar acidentes e mortes de animais. A concessionária Entrevias, que duplicou, em 2023, 64 quilômetros da Rodovia Rachid Rayes (SP-333), entre Marília e Assis, no interior paulista, está entre as que investiram em uma série de medidas de proteção. Entre elas, 48 passagens de fauna e outras 30 em fase final de conclusão, além de 70 km de cercas direcionadoras em ambos os lados. Com isso, segundo Osnir Giacon, gerente de meio ambiente, a empresa reduziu os 247 atropelamentos de animais em 2022 para 122 em 2025. No trecho da Unidade de Conservação de Assis, foi instalada a primeira jump-out em rodovias no Brasil, rampa que possibilita ao animal que chega à rodovia retornar às áreas protegidas. A Transpetro, operadora do Terminal Marítimo Almirante Barroso (Tebar), em São Sebastião (SP), criou, em 2022, um programa de redução do risco de colisões entre navios e cetáceos (baleias, golfinhos e botos) que contempla monitoramento em tempo real de procedimentos operacionais e de navegação, após o registro de uma baleia-jubarte no canal. O programa tem parceria com o Projeto Baleia à Vista (ProBaV), o Instituto Baleia Jubarte (IBJ) e a Great Whale Conservancy (GWC) e conta com sistemas de alerta e de comunicação para informar a presença de baleias próximas às rotas de navegação, além de medidas para apoiar a operação em áreas com registro de cetáceos. Entre 2022 e 2025 foram registradas 197 baleias no canal de São Sebastião e 75 alertas relacionados à presença de cetáceos nas proximidades das rotas marítimas. Não houve registro de colisões. A Rumo Logística, maior operadora de ferrovias de carga do Brasil, também adotou programas de proteção à fauna. Em trechos da Malha Norte, nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, investiu em um sistema de afugentamento sonoro de fauna que, segundo a gerente de meio ambiente Paula Tagliari, é pioneiro no Brasil. O programa utiliza câmeras e emissão de sons acionados antes da passagem dos trens, afastando preventivamente os animais dos trilhos. O sistema cobre 13 km de ferrovia, em cinco áreas monitoradas, e não registrou mortes de fauna nos trechos mitigados. Nas Malhas Sul e Central, a Rumo construiu canaletas de escape sob a ferrovia, permitindo a travessia segura de quelônios (tartarugas, jabutis e cágados). São animais especialmente vulneráveis por causa do deslocamento lento quando ficam presos na ferrovia. Houve redução de 80% nos acidentes.
Concessionárias investem para evitar mortes de animais no trânsito
Novos contratos já preveem medidas de mitigação, como pontes e túneis











