Estudo do BNDES aponta 187 projetos de mobilidade urbana, mas especialistas dizem que obras precisam vir com melhor gestão e financiamento 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Trens do metrô do Rio. Modal pode melhorar a mobilidade nas cidades — Foto: Márcia Foletto/Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/07/2026 - 01:54 Brasil Precisa de R$ 400 Bi em Mobilidade Urbana Sustentável até 2054 Um estudo do BNDES destaca que o Brasil precisa investir R$ 400 bilhões para melhorar a mobilidade urbana em regiões metropolitanas, com ênfase na integração e financiamento sustentável. São 187 projetos visando reduzir o tempo médio de deslocamento, atualmente em 62,42 minutos, para 56,06 até 2054. Especialistas alertam para a necessidade de planejamento de longo prazo e governança eficaz. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O Brasil precisará investir mais de R$ 400 bilhões para ampliar a infraestrutura de transporte público nas principais regiões metropolitanas do país, mas especialistas alertam que as obras, sozinhas, não serão suficientes. Para eles, o país também precisa enfrentar problemas históricos relacionados à mobilidade urbana, e os investimentos têm de vir acompanhados de planejamento de longo prazo, melhor gestão dos sistemas e financiamento permanente da operação. Empresa de táxi-aéreo já traça rotas de ‘carros voadores’ em SP: quando novo transporte vai virar realidade?Nova Serra das Araras começa a deixar para trás curvas históricas; vídeo mostra trecho de 4km a ser liberado A estimativa faz parte do Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), elaborado pelo BNDES em parceria com o Ministério das Cidades. O documento reúne 187 projetos de implantação, expansão ou requalificação de sistemas como metrôs, trens urbanos, VLTs, BRTs e corredores de ônibus nas 19 capitais mais populosas do país, além de Campinas e da Baixada Santista. O levantamento propõe uma estratégia nacional para ampliar a oferta de transporte público, integrar sistemas, fortalecer a governança e criar mecanismos de financiamento capazes de destravar novos aportes. Entre as metas está a redução do tempo médio de deslocamento nas 21 regiões metropolitanas analisadas, hoje em 62,42 minutos por viagem, para 56,06 minutos até 2054, caso os projetos sejam executados. Projetos viáveis Na avaliação do diretor de Planejamento e Relações Institucionais do BNDES, Nelson Barbosa, o principal desafio é transformar essa carteira de investimentos em projetos viáveis e garantir recursos. — A primeira coisa é ter projeto. A segunda coisa é ter dinheiro. Porque uma parte desses projetos, como o transporte urbano normalmente é uma atividade em que a tarifa não remunera 100% do serviço, você precisa de aporte público. E o terceiro desafio é político, porque normalmente esses são projetos de Estado. Um governo começa e outro termina. Eles atravessam mandatos. Segundo Barbosa, a expansão da infraestrutura também exige mudanças na governança do transporte metropolitano para atrair investidores e dar maior previsibilidade aos contratos. — Para o setor privado, tem que haver estabilidade e previsibilidade de receita. Ter uma autoridade que distribua essa receita diminui a incerteza e torna o investimento mais atrativo. O estudo sugere que a maior parte dos recursos necessários para viabilizar a carteira de projetos venha do setor público. Dos mais de R$ 400 bilhões estimados para a implantação da rede de transporte prevista, cerca de 80% — entre R$ 320 bilhões e R$ 350 bilhões — deverão ser aportados por União, estados e municípios. Os 20% restantes, entre R$ 80 bilhões e R$ 87 bilhões, viriam da iniciativa privada, principalmente por meio de concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs). — Quanto mais o Estado assumir do investimento, menor tende a ser a tarifa, porque você não precisa remunerar esse investimento — aponta Barbosa. Paulo Resende, diretor do Núcleo de Logística, Supply Chain e infraestrutura da Fundação Dom Cabral, acredita que o país precisa adotar uma visão de longo prazo para o desenvolvimento das cidades. Ele avalia que o planejamento urbano brasileiro costuma ser reativo, com intervenções feitas apenas depois que os congestionamentos e demais problemas já estão instalados. Para ele, a lógica precisa ser invertida. — O primeiro grande problema brasileiro é que as leis de uso e ocupação do solo nas cidades não estão integradas a um planejamento de mobilidade urbana. A cultura é de fazer o shopping e depois ver como é que a gente vai tratar a mobilidade. Não existe uma visão mais global. Sem imediatismo Na avaliação do especialista, decisões sobre mobilidade precisam deixar de responder apenas às demandas imediatas de cada gestão e passar a seguir uma estratégia permanente para o desenvolvimento das cidades. — O mundo tem trabalhado com planejamento estratégico de longo prazo. Esse planejamento precisa ser protegido das administrações temporárias e não pode ser aleatoriamente modificado a cada troca de prefeito. O estudo aponta que a maior parte das regiões metropolitanas ainda opera com redes fragmentadas, pouca integração entre modais e dificuldades de financiamento. Quanto ao tempo de deslocamento das 21 regiões metropolitanas analisadas, São Luís registra a pior situação, com média de 105,54 minutos, seguida por Grande Vitória (90,18 minutos), Recife (82,42) e Fortaleza (80,48). Além da queda no tempo de viagem, os investimentos previstos no estudo poderiam reduzir a tarifa em 11% e as emissões de gases de efeito estufa. Frota menor, estações degradadas e falhas de manutenção nos trens do Rio: confira cinco problemas encontrados na malha ferroviária Entre as propostas estão fortalecer a governança interfederativa, ampliar a integração tarifária e criar estruturas permanentes de financiamento. Além de reduzir o tempo gasto no transporte, o ENMU estima que os investimentos poderão ampliar a acessibilidade ao transporte público, reduzir acidentes de trânsito, estimular a indústria e gerar empregos durante as obras.