De acordo com pesquisa, só um terço das empresas brasileiras investe em TI verde O uso cada vez mais disseminado e intensivo da inteligência artificial e de tecnologias inovadoras traz, ao lado das transformações do modelo de negócios, impactos negativos sobre o meio ambiente, acelerando as mudanças climáticas. Para se ter uma ideia da dimensão do problema, data centers de todo o mundo poderão consumir tanta eletricidade quanto o Japão até o fim deste ano, aumentando os riscos decorrentes da elevação das emissões de gases de efeito estufa, conforme estimativa da Agência Internacional de Energia (IEA). Empresas pesquisadas pelo Carbon Disclosure Project (CDP), em 2025, previram perdas de US$ 898 bilhões decorrentes de eventos climáticos extremos - e metade desses riscos estão no radar para ocorrerem nos próximos dois anos. No relatório do CDP, organização global sem fins lucrativos que afirma ter o banco de dados ambientais mais abrangente do mundo, as organizações também estimaram que a redução da capacidade produtiva em função das mudanças climáticas gerará impactos de US$ 326 bilhões, enquanto a desvalorização de ativos somaria US$ 218 bilhões. Para mitigar tais efeitos são necessários investimentos das empresas em processos e produtos da chamada TI verde, o que vem ocorrendo de forma sistemática em grandes empresas em países da Europa e no Japão. Já no Brasil a realidade é outra. Há investimentos em tecnologia voltada para ESG, mas em valores inferiores aos necessários, conforme recente pesquisa “Green IT Brasil 2025”, da NTT DATA e do MIT Tech Review. Apesar do potencial de redução de até 50% nos custos de energia, só um terço das empresas brasileiras ouvidas investe em TI verde. O levantamento mostra a necessidade de avanços expressivos por parte das organizações a fim de mitigar impactos do uso de IA e da tecnologia sobre o clima; apenas 27% das mais de 120 organizações pesquisadas de oito setores diferentes aplicam rotinas efetivas de otimização de software e infraestrutura, prática com potencial de reduzir custos e emissões. O estudo, divulgado no fim do ano passado, revela que apesar do claro avanço cultural - 52% das empresas já possuem equipes dedicadas e metas ambientais, e 46% adotam práticas como o prolongamento da vida útil de equipamentos e parcerias de reciclagem -, as ações ainda carecem de profundidade estratégica e financeira: apenas 33% possuem orçamento dedicado, e somente 25% utilizam créditos de carbono como compensação. “Para muitas empresas brasileiras, investimentos em TI verde ainda são acanhados, ao contrário do que ocorre em outros países. A dificuldade maior é mostrar o retorno desses projetos aos acionistas. Sustentabilidade fica para um segundo momento. Vi um movimento importante das grandes empresas na COP30, mas passado o momento o tema saiu de pauta”, diz Roberto Celestino Pereira, executivo sênior de inovação digital e sustentabilidade, responsável pelo levantamento realizado no Brasil. Vi um movimento importante na COP30, mas passado o momento o tema saiu de pauta” A questão, conforme Pedro Veras, professor de ciência de dados da Strong Business School, vem chamando mais atenção do mundo acadêmico do que do empresarial. “Estamos no processo de convencimento. O mundo corporativo, muitas vezes, é reativo. Ainda não aconteceu nenhum grande incômodo para fazer com que as empresas comecem a reagir para se protegem de eventuais perdas”, diz Veras, doutor em teoria econômica. Hoje as empresas estão investindo mais em segurança da informação, item que se tornou estratégico no modelo de negócios para evitar fraudes e invasões no sistema, o que demanda mais recursos de IA e de tecnologia de ponta, do que em tecnologias para economizar recursos naturais, de acordo com Veras. Ainda assim, em novos investimentos já prevalecem opções por sistemas tecnológicos que embutem requisitos de segurança e sustentabilidade - os “security by design” -, reduzindo o volume de processos, uma vez que utilizam menos recursos de computação, logo menos energia e água. A demanda, de acordo com Veras, tem se concentrado em novos projetos de desenvolvimento de plataformas, não em substituição aos antigos. “Levará algum tempo para se proliferar no mercado”, diz. De fato, a pesquisa “Green IT Brasil 2025” mostra que 41% das empresas brasileiras acompanham em tempo real o consumo de energia. Percentual relevante, segundo Pereira, mas insuficiente para atender à escala exigida pela transição verde.
Sustentabilidade permanece como desafio para setor de tecnologia
De acordo com pesquisa, só um terço das empresas brasileiras investe em TI verde






