Alberto Fernández também atribuiu a postura do seu conterrâneo à liderança política de Donald Trump 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Alberto Fernandez, ex-presidente da Argentina — Foto: DANIEL DUARTE/21-7-2022/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 20:30 Alberto Fernández critica Milei por ataques a Lula e alerta para risco nas relações com Brasil O ex-presidente argentino Alberto Fernández criticou Javier Milei por ataques a Lula, considerando-os um "risco" para as relações bilaterais. Fernández associou a postura de Milei à influência de Donald Trump, destacando que suas declarações insultantes são inadmissíveis e que comprometem a democracia. Ele pediu que o Brasil releve as falas de Milei, que classificou como "psiquicamente desequilibrado". CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O ex-presidente da Argentina Alberto Fernández criticou as declarações do atual chefe do país, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que os ataques são um “risco” para a relação bilateral dos países. Ao GLOBO, o ex-chefe de Estado argentino também atribuiu a postura do seu conterrâneo durante a convenção de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à liderança política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. — A visita recente de Milei ao Brasil representa um ato vergonhoso para todos os argentinos. Suas declarações que insultaram Lula são inadmissíveis. Tão inadmissível quanto pedir liberdade a uma pessoa condenada pela Justiça brasileira por ter incentivado um golpe de Estado. Milei, com sua irresponsabilidade, não apenas colocou em risco as relações da Argentina com o Brasil, descumprindo o mandato constitucional que possui, como também demonstrou seu profundo desprezo pela democracia e pelo Estado de Direito — afirmou o ex-presidente: — Espero que o governo do Brasil faça um esforço para relevar as declarações de um energúmeno fascista que hoje governa a Argentina. O vínculo entre nossos países deve ser indissolúvel e transcende as declarações de um presidente psiquicamente desequilibrado— seguiu Fernández. No sábado, Milei fez um longo discurso durante a convenção nacional do PL no qual criticou Lula e o ministro Alexandre de Moraes (Supremo Tribunal Federal), além de afirmar que confia em Flávio para “evitar o socialismo”. As críticas a Moraes ocorreram após o ministro proibir visita do argentino a Jair Bolsonaro, que está em prisão domiciliar. — O lixo não me permitiu visitar ao meu amigo injustamente encarcerado, quando eu sei que Lula se cansou de receber líderes do exterior quando estava preso, entre eles o nefasto ex-presidente argentino Alberto Fernández— disse Milei na convenção. Ex-presidente da Argentina diz que Milei é parte de 'conglomerado' liderado por Trump Fernández rebateu a comparação feita pelo atual presidente e afirmou que não participou de nenhum ato político após visitar Lula na sede da Polícia Federal em Curitiba, em julho de 2019. Naquele momento, era candidato à presidência da Argentina. Ele foi eleito presidente em outubro daquele ano. — Visitei Lula quando ele estava injustamente preso. Fui parte de um comitê internacional que reivindicava a liberdade dele. Ainda assim, jamais desrespeitei Jair Bolsonaro, que na época era o presidente do Brasil, embora tenha recebido dele todo tipo de ofensas pessoais. O vínculo entre Argentina e Brasil, Brasil e Argentina, deve ser indissolúvel — afirmou Fernández. O ex-presidente disse que conversou com o ex-chanceler Celso Amorim após as declarações de Milei para transmitir a sua “preocupação e mal-estar” com toda a situação. Fernández disse ainda que Milei faz parte de um “conglomerado político internacional liderado por Donald Trump” e que ele pode se expressar livremente, mas não pode agredir um presidente que foi eleito democraticamente. — As falas estão num contexto onde o presidente Trump se intromete na vida política de outros países, o mesmo faz Milei nesse caso com o Brasil. Que ele se expresse, para mim não é um problema. O que é inadmissível é que ele maltrate quem preside hoje o Brasil — afirmou. Fernández afirmou ainda que a “imensa maioria dos argentinos” sentiu vergonha pelas declarações e postura de Milei e que só restava a eles “pedir desculpas pela conduta” do presidente. — Apelo para que o governo do Brasil seja generoso com a Argentina e entenda que o vínculo entre os dois países é muito mais importante do que a conjuntura política — disse o ex-presidente.