Ex-ministro nos governos dos Kirchner e Fernández, Jorge Taiana afirma que postura 'coloca em risco laços históricos' das nações; ele também questiona ida de chanceler a ato do PL 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu homólogo argentino, Javier Milei, durante cúpula do Mercosul em Buenos Aires — Foto: Luis ROBAYO / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 10:15 Deputado argentino propõe repudiar falas de Milei contra Lula e Moraes O deputado argentino Jorge Taiana apresentou um projeto no Congresso para repudiar as declarações do presidente Javier Milei contra o presidente brasileiro Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes. Taiana, ex-ministro, destaca que tais declarações prejudicam as relações bilaterais e violam princípios internacionais. O projeto já conta com apoio de 30 deputados e critica a presença de diplomatas argentinos em evento partidário no Brasil. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O deputado argentino Jorge Taiana, que integra a coalizão peronista "Unión por la Patria", apresentou um projeto no Congresso do país para repudiar as declarações do presidente Javier Milei contra o Brasil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No último final de semana, Milei esteve em São Paulo para participar da convenção partidária que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, ocasião em que chamou Lula de "presidiário" e também direcionou ataques ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). "As declarações de Milei nos envergonham como argentinos. Hoje apresentei na Câmara dos Deputados da Argentina um projeto de repúdio diante das gravíssimas declarações de Milei contra Lula e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, durante sua visita ao Brasil para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro", escreveu Taiana, nesta segunda-feira, nas redes sociais. O documento, chamado de "projeto de declaração", é um tipo de proposta protocolada para expressar a opinião do Congresso sobre determinado assunto. Até o momento, segundo informações do portal UOL, ao menos 30 deputados já se juntaram a Taiana para apresentar o projeto na Câmara de Deputados da Nação Argentina, em Buenos Aires. A Casa legislativa tem 257 parlamentares. A proposta prevê um "enérgico repúdio às calúnias e injúrias violentas" proferidas por Milei. Segundo Taiana, a postura constitui "um grave prejuízo" às relações diplomáticas bilaterais e à política externa da Argentina. O documento aponta, ainda, "a profunda preocupação com a manifesta ingerência nos assuntos internos e no processo político-institucional de outro Estado soberano, violando os princípios fundamentais do direito internacional, da autodeterminação dos povos e da não intervenção consagrados na Carta das Nações Unidas, e afetando gravemente a convivência pacífica entre ambos os países". Taiana foi ministro de Relações Exteriores nos governos de Cristina Kirchner e Néstor Kirchner, além de ter comandado o Ministério da Defesa na gestão de Alberto Fernández. Por isso, no documento, ele também repudiou a presença do atual Chanceler, Pablo Quirno, e do diplomata Luis María Kreckler, em um ato de caráter "estritamente político-partidário" no Brasil, o que "coloca em risco os laços históricos de fraternidade e cooperação estratégica entre ambas as nações". "A preocupação torna-se ainda maior se for considerada a importância estratégica que o Brasil possui para a Argentina, sendo o principal parceiro comercial do nosso país e o principal destino das exportações industriais argentinas", diz outro trecho. "Qualquer conduta que deteriore deliberadamente a relação bilateral compromete interesses econômicos, políticos e estratégicos permanentes da República Argentina", completa. 'Não há precedentes' Além da convocação de Raimondi, Vieira determinou que o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, retornasse ao país para consultas, medida adotada em momentos de tensão diplomática. Em nota divulgada ontem, o Ministério das Relações Exteriores reforçou o ineditismo do comportamento do mandatário argentino. “Não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro. É especialmente lamentável que esse episódio infamante envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém 203 anos de amizade e cooperação e que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial”, afirmou a pasta. Em evento no sábado, Milei falou das condições econômicas de seu país quando assumiu o cargo, atrelando isso ao socialismo. Ele criticou o Foro de São Paulo “criado por Lula da Silva e Fidel Castro, uma rede internacional chave para a disseminação do comunismo no continente”. — O que quero dizer é que o Brasil ainda não viveu as consequências mais nefastas e profundas deste modelo, mas pode vivê-las se não der uma volta de rumo. Confiamos em você, Flávio, para conseguir parar o socialismo — falou.