Senador era aguardado pela PF para prestar depoimento, solicitado pela Procuradoria-Geral da República O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre o caso que investiga suposta calúnia do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à reeleição pelo PT. Mais cedo, o senador enviou uma manifestação por escrito à Polícia Federal (PF), solicitando que o documento substitua o depoimento que estava previsto para ocorrer na tarde desta terça-feira. A oitiva foi marcada por ordem de Moraes após a defesa do senador pedir mais prazo para que ele fosse ouvido. O depoimento, no entanto, atende a um pedido da PGR para que ele fosse ouvido na investigação. Essa foi a segunda tentativa de tomar o depoimento do senador. Na primeira, o ministro havia dado 10 dias para que a PF ouvisse o parlamentar, os investigadores contataram a defesa de Flávio avisando que o depoimento poderia ser feito por videoconferência na data e horário escolhidos, mas não houve indicação de data ou prazo. Como Flávio é investigado, ele não é obrigado a prestar depoimento. “Diante do exposto, demonstrada a intenção de Flávio Nantes Bolsonaro em não comparecer à Polícia Federal para prestar depoimento, conforme solicitado pela Procuradoria-Geral da República, determino o retorno dos autos ao Ministério Público para manifestação, no prazo de 15 (quinze) dias”, escreveu Moraes. No fim de junho, os investigadores concluíram que Flávio caluniou Lula ao associar o presidente a crimes como tráfico de drogas e terrorismo. A apuração foi iniciada em abril, por ordem de Moraes, após solicitação da PF. Em nota, a defesa do senador negou que ele tenha caluniado Lula, uma vez que o crime exige a atribuição de um fato específico e falso, o que, segundo os advogados, não ocorreu. Eles ainda afirmaram que as manifestações de Flávio se inserem no contexto do debate político e representam “posicionamentos públicos e afinidades políticas amplamente discutidas no cenário nacional e internacional”. Na petição encaminhada ao STF, Flávio diz que a publicação questionada tem duas afirmações diferentes e sem relação direta, embora estejam em um mesmo post. A primeira, sustenta, seria direcionada ao presidente e diz que Lula "será delatado". Enquanto a segunda, que trata de tráfico e outros crimes, seria direcionada só a Nicolás Maduro. Flávio é investigado por suposta calúnia a Lula ao associá-lo a crimes como tráfico de drogas e terrorismo. A apuração foi aberta por ordem de Moraes em abril deste ano, depois de a PF enviar uma representação ao Supremo. Segundo a conclusão dos investigadores, após a captura de Nicolás Maduro no início do ano, Flávio fez publicações associando Lula ao então presidente venezuelano e ao cometimento de crimes. “Lula será delatado. / É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas...”, dizia a publicação do senador. Em relatório enviado a Moraes em junho, a PF concluiu que Flávio “imputou falsamente ao presidente Lula o cometimento dos crimes de tráfico internacional de drogas, tráfico internacional de arma e lavagem de dinheiro, crimes estes expressamente tipificados em nosso ordenamento jurídico”. Edifício-sede da Procuradoria-Geral da República, em Brasília — Foto: Leobark Rodrigues/Secom/MPF
Moraes pede posicionamento da PGR sobre manifestação por escrito de Flávio em caso de calúnia a Lula
Senador era aguardado pela PF para prestar depoimento, solicitado pela Procuradoria-Geral da República












