Presidente ucraniano pede mais sistemas de defesa aérea Patriot, discute esforços para reativar negociações de paz e participa de homenagem ao senador Lindsey Graham 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, chega à Casa Branca para reunião com Donald Trump sobre a guerra na Ucrânia — Foto: Andrew Harnik/Getty Images/AFP. RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 12:24 Zelensky se reúne com Trump na Casa Branca por ajuda militar e paz O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky se reuniu com Donald Trump na Casa Branca para pedir reforço militar, especialmente sistemas de defesa aérea Patriot, e discutir a retomada de negociações de paz. A reunião ocorre em meio a ataques intensificados entre Ucrânia e Rússia. Zelensky também busca fortalecer a cooperação estratégica e participar de homenagens ao senador Lindsey Graham. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, chegou à Casa Branca nesta terça-feira para uma reunião com seu homólogo americano, Donald Trump, após meses de tensão entre os dois líderes. O encontro ocorre enquanto Kiev busca reforçar sua defesa aérea diante da intensificação dos ataques russos e tenta impulsionar novos esforços diplomáticos para encerrar a guerra, mais de quatro anos após a invasão em larga escala pela Rússia. Segundo autoridades ucranianas, a principal prioridade de Zelensky é obter novos interceptadores para os sistemas de defesa aérea Patriot, considerados o único em operação no país capaz de interceptar mísseis balísticos russos. Ele também pretende discutir formas de reativar as negociações diplomáticas, que permanecem paralisadas, além de fortalecer a cooperação estratégica entre Kiev e Washington. “Nossa prioridade número um é a defesa antibalística e a cooperação estratégica com a América. A paz precisa ser aproximada”, escreveu Zelensky no X após desembarcar nos Estados Unidos. A reunião ocorre à portas fechadas em meio ao agravamento dos ataques de longo alcance entre Kiev e Moscou. Horas antes do encontro, a Ucrânia lançou centenas de drones contra a Rússia, incluindo a região da capital. Moscou respondeu com mais de 100 drones contra território ucraniano e manteve ataques ao porto de Odessa e a embarcações responsáveis pelo transporte de exportações agrícolas da Ucrânia. Nos últimos meses, Kiev também ampliou ataques contra refinarias, depósitos de petróleo e embarcações russas, contribuindo para episódios de escassez de combustível no país vizinho. Ataques a armazéns da gigante russa de comércio eletrônico Wildberries provocaram perdas de estoque para milhares de pequenos empresários, enquanto ofensivas de médio alcance atingiram rotas de abastecimento do Exército russo. A Crimeia também voltou a ser alvo de operações que, segundo autoridades, buscam isolar a península anexada pela Rússia em 2014. Sistemas de defesa O aumento da ofensiva russa sobre cidades ucranianas reforçou os pedidos de Kiev por novos sistemas de defesa aérea. Segundo a ONU, o mês passado foi o mais letal para civis ucranianos desde abril de 2022, em meio ao crescimento do uso de mísseis balísticos pela Rússia. Dados da Força Aérea da Ucrânia compilados pelo New York Times indicam que, apenas em julho, Moscou disparou 117 mísseis balísticos contra cidades ucranianas, número próximo de um recorde mensal. — É crucial que Washington aprove a compra de um pacote de mísseis Patriot. Isso é extremamente importante — afirmou à AFP um alto funcionário ucraniano, sob condição de anonimato. Embora Trump tenha anunciado neste mês que os EUA permitirão que a Ucrânia produza mísseis Patriot sob licença, autoridades reconhecem que a implantação dessa capacidade industrial levará tempo e não resolverá a necessidade imediata de interceptadores. O encontro desta terça também simboliza uma mudança na relação entre Trump e Zelensky. Em fevereiro de 2025, durante reunião no Salão Oval, o americano acusou o líder ucraniano de ingratidão e afirmou que ele estava “brincando com a Terceira Guerra Mundial”. Na ocasião, Trump ainda declarou que Zelensky “não tinha cartas” para vencer o conflito. Desde então, os contatos entre ambos se intensificaram. Na cúpula da Otan na Turquia neste mês, Trump elogiou Zelensky e anunciou a autorização para a produção licenciada dos mísseis Patriot. — Está fazendo um trabalho incrível — afirmou Trump sobre o presidente ucraniano durante o encontro. Vitória diplomática Na semana passada, Zelensky também se reuniu com os enviados de Trump, Steve Witkoff e Jared Kushner, para discutir como “revigorar a diplomacia”, após a guerra no Oriente Médio reduzir a prioridade da Ucrânia na agenda internacional dos EUA. Para analistas, Trump busca uma vitória diplomática em política externa após enfrentar dificuldades para consolidar um cessar-fogo duradouro envolvendo o Irã. — A relação com o Irã continua muito frágil. Assim, a Ucrânia volta ao centro das atenções — disse Harry Nedelcu, diretor da consultoria política europeia Rasmussen Global. — Acima de tudo, para ambos, este é um momento em que podem validar os esforços diplomáticos um do outro e tirar proveito político dessa relação. Trump pode se beneficiar de Zelensky, e Zelensky pode ajudá-lo a fortalecer a imagem de seu governo num momento em que, internamente, Trump não está indo muito bem. Outro tema esperado nas conversas é o endurecimento das sanções contra Moscou. Após a reunião na Casa Branca, Zelensky deve participar do funeral do senador republicano Lindsey Graham, um dos principais defensores da Ucrânia no Congresso americano, morto neste mês aos 71 anos. Em seguida, o ucraniano deve discursar para senadores pouco antes da votação processual de um projeto bipartidário que autoriza Trump a impor sanções a compradores de petróleo russo. O projeto conta com 62 coautores no Senado, embora parte dos democratas manifeste preocupação com dispositivos que ampliariam os poderes do presidente para impor tarifas a países importadores de energia russa. Os defensores da proposta esperam que uma votação favorável aumente a pressão sobre a Câmara dos Representantes, onde o texto enfrenta maior resistência. Na semana passada, 76 republicanos da Câmara apoiaram, sem sucesso, uma tentativa de interromper toda a assistência de segurança americana destinada à Ucrânia. Antes de chegar a Washington, Zelensky esteve no Reino Unido, onde se tornou o primeiro líder estrangeiro recebido pelo novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham. Durante a visita, Londres anunciou o compartilhamento da tecnologia “Stone Cloak”, desenvolvida para interferir em sistemas russos de defesa aérea, e reafirmou o apoio britânico à defesa da Ucrânia contra a invasão russa.