Enquanto o status do presidente ucraniano está em alta junto a Donald Trump, as desavenças com o líder israelense transbordam com certa frequência aos olhos públicos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Salão Oval, na Casa Branca, durante reunião entre os presidentes dos EUA, Donald Trump (C, à D), e da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (C à E) — Foto: Serviço Presidencial de Imprensa da Ucrânia / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/07/2026 - 16:16 Zelensky e Netanyahu buscam apoio militar de Trump na Casa Branca Em visita à Casa Branca, Zelensky e Netanyahu buscaram apoio de Trump para suas agendas militares. Zelensky, em alta nos EUA após sucesso contra a Rússia, discutiu produção de defesa aérea. Netanyahu, em meio a desavenças públicas com Trump, focou no Irã, buscando retomar ataques. As relações distintas com o presidente americano refletem o cenário político complexo, com implicações para ambos os líderes em seus países. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em paralelo ao funeral do senador americano Lindsey Graham, morto no início do mês, dois líderes que com frequência cortejam o presidente dos EUA, Donald Trump, foram à Casa Branca nesta terça-feira, com objetivos distintos e em estágios diferentes da relação com o republicano. Enquanto o premier de Israel, Benjamin Netanyahu, não esconde as farpas públicas com Trump, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, colhe os frutos da bem-sucedida ofensiva com drones contra a Rússia e ganha novos fãs em Washington. O primeiro a chegar à Casa Branca foi Zelensky, no final da manhã. De acordo com o líder ucraniano, a conversa teve como um dos tópicos a emissão de licenças, por parte dos EUA, para que a Ucrânia produza partes do sistema de defesa aérea Patriot, crucial para enfrentar os russos. A promessa foi feita no início do mês por Trump, e é encarada por Kiev como uma forma de amenizar a escassez global do sistema. Não foram estabelecidos detalhes sobre como ou quando começaria a produção. Zelensky revelou que ambos falaram sobre diplomacia, acrescentando ser “importante que o processo diplomático seja revigorado”. Nos últimos dias, representantes de Washington e Kiev intensificaram as discussões sobre um plano de cessar-fogo aéreo a ser apresentado aos russos. Questionado sobre a ideia, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse à agência Interfax que “são apenas notícias de jornal”, e que “portanto, é prematuro comentá-las neste momento”. “Sou grato aos Estados Unidos pelo seu firme apoio”, concluiu Zelensky, em publicação na rede social X. Presidentes da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (E), e dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca — Foto: Serviço Presidencial de Imprensa da Ucrânia / AFP Minutos depois, um dos convidados mais recorrentes da capital americana entrou na Casa Branca, o premier israelense, Benjamin Netanyahu. Os dois se reuniram por cerca de uma hora e meia, sem o habitual acesso a perguntas de jornalistas no Salão Oval, em um encontro classificado como “muito positivo” por assessores. Tal como Zelensky, a guerra foi tema central: um membro da comitiva de Netanyahu afirmou ao Canal 12, de Israel, que o premier entregou informações de inteligência sobre o Irã e argumentou que “não há outra escolha” a não ser retomar os ataques contra o território iraniano. — [São necessários] ataques significativos, a instalações nucleares, a capacidades que foram reconstruídas e a locais que não haviam sido atingidos anteriormente — disse o assessor de Netanyahu, afirmando que os ataques poderiam “abalar a estabilidade do regime”. — Não estamos pressionando, mas também não estamos enterrando a cabeça na areia. Netanyahu apresentou a Trump a perspectiva israelense. Em vídeo, Netanyahu disse que a reunião foi "excelente", e que serviu como "uma oportunidade para trocar ideias e fazer acordos importantes para a segurança e o futuro de Israel”. No início da tarde, a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, afirmou que os dois encontros foram “positivos e produtivos”, sem dar detalhes sobre o que foi discutido. Premier de Israel, Benjamin Netanyahu (E), ao lado do presidente dos EUA, Donald Trump, na Casa Branca — Foto: GPO / AFP Como em outros momentos no passado recente, Trump se vê diante de pedidos bilionários feitos por Zelensky e Netanyahu. Desta vez, contudo, chama a atenção a diferença entre as relações dos dois líderes com o republicano. Ao contrário da hostilidade que permeou o diálogo inicial de Zelensky com Trump — como em fevereiro do ano passado, quando foi enxotado da Casa Branca —, o americano externa uma crescente afeição pelo ucraniano. Além do trabalho nos bastidores de diplomatas e lideranças europeias, o sucesso da estratégia de ataques da Ucrânia dentro da Rússia, com estragos que afetam a economia local e a imagem do presidente Vladimir Putin, mudou a percepção do republicano. Graham, um antigo apoiador dos esforços de guerra da Ucrânia, também atuou junto a Trump para manter a ajuda militar e adotar sanções mais duras contra Moscou. Nesta terça-feira, um grupo de senadores democratas e republicanos avançou com um novo pacote de medidas econômicas à Rússia, que deve ser aprovado sem grandes obstáculos no Congresso. Em outro sinal da mudança dos tempos, uma influenciadora próxima a Trump, Laura Loomer, esteve em Kiev na semana passada, e agora apoia os esforços de guerra contra os russos — até pouco tempo, repetia que a Ucrânia era “um país cheio de apologistas do nazismo”, replicando essa e outras pérolas da propaganda russa. — Na verdade, desenvolvemos um bom relacionamento. É difícil de acreditar, não é? — disse Trump durante reunião com Zelensky na Turquia, no início do mês. Mural no centro de Teerã pedindo vingança contra o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: AFP Com Netanyahu, que fez nesta terça-feira a sétima visita à Casa Branca desde o retorno de Trump à Presidência, as rusgas são públicas. Embora a relação entre EUA e Israel siga inabalada — o Orçamento de Defesa americano de 2027, aprovado na Câmara na semana passada, prevê US$ 750 milhões para projetos conjuntos entre os dois países —, assessores e políticos da base veem com preocupação a nova ofensiva para convencer Trump a retomar os ataques ao Irã. O conflito é um dos mais impopulares da História dos EUA, e é encarado pela base mais fervorosa do presidente como uma traição da promessa de que a era das guerras eternas havia terminado. — Netanyahu é uma espécie de fonte de problemas no momento. Essa guerra tem tomado conta dos últimos cinco meses e meio, mais ou menos. Não há uma solução clara para ela — disse um ex-funcionário da Casa Branca, sob condição de anonimato, ao portal Politico. — Trump provavelmente, publicamente ou não, culpa Netanyahu em parte ou o associa ao fato de as coisas estarem indo mal. Não é que a culpa tenha de ser necessariamente dele; é que ele está associado à situação. E o presidente está irritado com isso. No mês passado, Trump chamou Netanyahu de “louco pra caramba”, disse que o aliado estaria preso se não fosse por ele (referência aos processos que ainda podem levá-lo à cadeia) e alegou que “todo mundo odeia Israel por causa disso”. Na ocasião, o presidente americano estava insatisfeito com a recusa israelense de interromper a ofensiva no Líbano. Na segunda-feira, ao ser questionado sobre as críticas do premier à decisão dos EUA de fornecer caças F-35 à Turquia, disse que “ninguém me diz o que deveríamos vender”, acrescentando que os turcos são aliados próximos de seu governo. A decisão sobre a guerra também traz um cálculo eleitoral a ambos. Para Trump, a sequência do impopular conflito pode garantir uma derrota importante nas eleições de meio de mandato, em novembro, com o risco de perder o controle do Congresso para os democratas. Para Netanyahu, que enfrenta as urnas em outubro, um eventual acordo entre EUA e Irã, sem que as exigências israelenses sejam atendidas, pode selar a vitória da oposição e o início de dias turbulentos para o longevo premier. — As apostas são mais altas para Netanyahu, tanto porque Trump, e não ele, é quem toma as decisões aqui — disse ao Politico Elliott Abrams, enviado especial para o Irã no primeiro mandato de Trump, — Até porque é o cargo dele, e não o de Trump, que está em jogo.
Em momentos distintos, Zelensky e Netanyahu vão à Casa Branca em busca de armas, fotos e definições para o futuro
Enquanto o status do presidente ucraniano está em alta junto a Donald Trump, as desavenças com o líder israelense transbordam com certa frequência aos olhos públicos











