Relações entre os dois presidentes, tensas no início do mandato de Trump, melhoraram após avanços ucranianos no conflito contra Moscou O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, se reunirá nesta terça-feira com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em meio à crescente confiança em Kiev de que o republicano passou a apoiar mais a posição ucraniana na guerra contra Rússia. Assessores de Zelensky e uma pessoa próxima ao governo Trump disseram ao jornal Financial Times que o encontro oferece a Kiev a melhor oportunidade desde o início do segundo mandato do presidente americano para obter novo apoio militar e revitalizar os esforços para pôr fim à guerra contra Moscou. Zelensky e Trump entraram em choque repetidas vezes durante os primeiros meses do segundo mandato do republicano, mas as relações melhoraram à medida que a Ucrânia passou a obter mais sucessos na guerra, com uma campanha contra a infraestrutura petrolífera da Rússia. O presidente ucraniano deve pressionar Trump para reforçar as capacidades de defesa aérea da Ucrânia e pela conclusão de um acordo sobre drones com os EUA. Os dois líderes também devem discutir a promessa feita por Trump na cúpula da Otan, na Turquia, de conceder a Kiev uma licença para produzir mísseis interceptadores Patriot. "Estamos sofrendo todos os dias, então precisamos do aval de Trump e de sua equipe para nos permitir comprar mísseis para os Patriots. Essa é a principal prioridade para salvar vidas", disse uma fonte ucraniana à Reuters antes da reunião. Na semana passada, Zelensky conversou com os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner sobre as perspectivas de retomada das negociações de paz com a Rússia. "Com o presidente Zelenskiy, o presidente Trump discutirá o atual processo de paz entre Rússia e Ucrânia. Agora é a hora de encerrar a guerra", disse um funcionário da Casa Branca. A visita ocorre depois que uma carta enviada pelo Pentágono aos parlamentares mostrou que o governo Trump informou ao Congresso que não concluirá a liberação de US$ 400 milhões em ajuda autorizada para a Ucrânia antes do ano fiscal de 2029, mesmo quando Kiev enfrenta uma escassez crítica de armamentos necessários para se defender dos ataques russos com mísseis. Democratas e alguns republicanos aliados de Trump criticaram o Pentágono por manter parados recursos destinados à Ucrânia que haviam sido aprovados no ano passado por parlamentares dos dois partidos. Volodymyr Zelensky, presidente da Ucrânia — Foto: Michael Probst/AP Sanções secundárias Zelensky também pretende participar de uma cerimônia em homenagem ao senador Lindsey Graham, firme apoiador da Ucrânia, que morreu repentinamente em 11 de julho, poucas horas após retornar de Kiev, em sua décima visita ao país desde o início da invasão russa em grande escala, em 2022. Na sequência, Zelensky deve se reunir com senadores americanos. Todos os 100 integrantes do Senado foram convidados para um encontro com o presidente ucraniano, segundo assessores ouvidos pela Reuters. Um dos assessores afirmou que o Senado também deve começar a votar, possivelmente já durante a visita de Zelensky, um projeto de lei para impor sanções secundárias a países que fazem negócios com a Rússia, defendido por Graham. A proposta estava parada havia cerca de um ano antes da morte repentina de Graham. O objetivo é reduzir as receitas obtidas pela Rússia com a venda de energia, que financiam a guerra na Ucrânia. O projeto prevê que o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) será autorizado a impor uma tarifa de 100% contra os maiores importadores de petróleo e gás da Rússia, ante os 500% generalizados previstos em uma versão anterior da proposta, a fim de conquistar apoio. Ainda assim, o projeto despertou preocupações no Congresso sobre uma possível ampliação dos poderes de Trump, que recentemente retomou a guerra comercial contra países como o Brasil com o uso da Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. Não está claro se o projeto de sanções secundárias, se aprovado, afetaria o Brasil, um dos principais compradores de diesel da Rússia. China e Índia, porém, poderiam ser alvo de eventuais novas tarifas se a medida passar pelo Congresso americano.