Steve Witkoff e Jared Kushner desembarcam na capital ucraniana pela primeira vez desde o início do conflito, um dia depois de reunião de três horas com Putin em Moscou 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, recebe os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff (D) e Jared Kushner (C), em Kiev — Foto: AFP O enviado especial dos Estados Unidos, Steve Witkoff, afirmou neste domingo que Rússia e Ucrânia "terão de fazer concessões" para chegar a uma solução que ponha fim à guerra iniciada pela invasão russa em 2022. A declaração foi feita em coletiva de imprensa após as primeiras reuniões de Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente americano, Donald Trump, com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, em Kiev. Trata-se da primeira visita dos americanos à capital desde o início da guerra, um dia depois de uma reunião de três horas com o presidente russo, Vladimir Putin, em Moscou. Zelensky, por sua vez, disse fazer uma "avaliação positiva" das negociações, ainda que tenha admitido que, "por enquanto", tudo indica que a guerra deve se estender. A dupla americana deixou a capital ucraniana ainda no domingo. — Ambas as partes terão de fazer concessões e reduzir suas divergências, e acreditamos que dispomos dos elementos necessários para alcançar isso — declarou Witkoff durante a coletiva, após os primeiros encontros em Kiev. — É muito difícil, mas estamos determinados, isso é importante para nós e esperamos que tudo isso leve a uma solução diplomática. Também em coletiva, Zelensky afirmou esperar "muito poder chegar a acordos" com os parceiros americanos e contar com o apoio dos europeus, mas ponderou sobre o cenário mais provável para os próximos meses. — Esperamos muito poder chegar a acordos com nossos parceiros americanos, e contamos com o apoio dos nossos parceiros europeus. Se a guerra continuar no inverno, e é assim que parece por enquanto, ainda assim as equipes têm uma avaliação positiva de nossas perspectivas futuras — disse o presidente ucraniano, reiterando que temas complexos, como as questões territoriais, só podem ser resolvidos em "nível de líderes". Uma fonte do governo ucraniano ouvida sob condição de anonimato pela agência de notícias AFP afirmou que a proposta apresentada pelos representantes americanos "não é a mesma coisa que antes". A autoridade não revelou detalhes do suposto plano discutido, mas apontou que a proposta "É mais eficaz". Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (à esquerda), na reunião com os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff (segundo à direita), e Jared Kushner (à direita), genro de Trump — Foto: AFP Mais cedo, ao lado de Kushner, Witkoff já havia afirmado que as conversas com Zelensky foram "significativas" e que vão durar pelo "tempo que for necessário". — Tivemos uma discussão muito significativa, profunda e importante, e estamos muito animados e desejamos continuar — disse o empresário após a reunião. Jared Kushner, por sua vez, afirmou que espera que “essa viagem tenha ajudado a abrir novos caminhos para avançarmos”. Por ocasião desta rodada de negociações, Putin decretou uma suspensão dos bombardeios contra Kiev por três dias, de sábado a segunda-feira, e afirmou que garantirá a segurança dos emissários dos Estados Unidos. A Ucrânia também anunciou a interrupção dos ataques contra Moscou durante esse período. Desde que passaram a atuar como mediadores no conflito iniciado pela invasão russa de 2022, Witkoff e Kushner visitaram Moscou oito vezes, mas esta é a primeira viagem dos dois à capital ucraniana. Eles chegaram a Kiev de trem, em uma estação ferroviária da cidade, com uma placa que dizia "Expresso da Paz". Antes do encontro, o presidente ucraniano agradeceu a Trump por permitir que a viagem acontecesse "do ponto de vista da segurança", acrescentando que a Ucrânia estava "esperando há muito tempo" pela visita de Witkoff e Kushner. Sem avanços em Moscou Em Moscou, no sábado, Witkoff e Kushner "discutiram planos substanciais", mas sem compromissos públicos. A reunião com Putin, que durou três horas, foi seguida por um jantar com o líder russo, segundo um comunicado de imprensa do Kremlin. Presidente da Rússia, Vladimir Putin (D), cumprimenta o enviado especial dos EUA Steve Witkoff, antes de reunião sobre a guerra na Ucrânia — Foto: Mikhail METZEL / POOL / AFP Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, descreveu posteriormente as conversas como "úteis" e afirmou que os representantes americanos "se prepararam seriamente para esta viagem". Ele disse que a equipe americana manifestou interesse em encerrar as hostilidades o mais rápido possível e ofereceu "uma série de considerações sobre possíveis caminhos para um acordo". Até então, os esforços diplomáticos estavam estagnados, em parte devido ao envolvimento de Washington no conflito com o Irã, enquanto Moscou e Kiev intensificaram os ataques de longo alcance. Na batalha pelos ares, os ataques contra a Ucrânia são cada vez mais violentos, mas a resposta na forma de drones vindos de Kiev causa impactos econômicos, humanos e políticos para o atual governo. O fato é que, 1.655 dias depois de invadir a Ucrânia, Putin segue irredutível em suas exigências para encerrar o conflito que decidiu lançar em fevereiro de 2022. Dentro dos círculos militares russos, existe a percepção de que o país está obtendo sucessos no campo de batalha, embora observadores independentes questionem os anúncios sobre avanços no leste ucraniano. Trump não quis detalhar se o plano levado pelos enviados inclui uma eventual cessão de territórios por parte da Ucrânia, hipótese que ele já havia sugerido anteriormente, mas declarou: "Temos uma ideia para a paz". Com AFP