Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com o líder russo por três horas no Kremlin, em meio a cessar-fogo temporário restrito às capitais dos dois países 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Rússia, Vladimir Putin (D), cumprimenta o enviado especial dos EUA Steve Witkoff, antes de reunião sobre a guerra na Ucrânia — Foto: Mikhail METZEL / POOL / AFP Em uma nova tentativa do governo dos EUA de tirar do ponto morto as negociações entre Rússia e Ucrânia sobre a guerra lançada há mais de quatro anos e meio, enviados especiais da Casa Branca se reuniram neste sábado com o presidente russo, Vladimir Putin, no Kremlin. Diante de elogios mútuos e cobranças pontuais, Steve Witkoff e Jared Kushner saíram de Moscou sem compromissos públicos, e agora seguem para Kiev, onde se sentarão com o líder ucraniano, Volodymyr Zelensky. Antes das portas se fecharem, Putin recebeu os enviados americanos falando em inglês, e disse expressar confiança em seu trabalho e do presidente americano, Donald Trump, nas discussões sobre a paz no Leste Europeu, e prometeu "fazer o possível" para garantir a segurança durante a atual rodada de conversas. Na véspera, o líder russo anunciou uma pausa de três dias nos ataques contra Kiev, o que não impediu bombardeios a aeroportos nos arredores da capital e infraestruturas básicas em outras áreas do país neste sábado. Aos visitantes, ele acrescentou que "as autoridades ucranianas fizeram um apelo por um cessar-fogo mais amplo de três dias, mas nunca concordamos com isso". Pelo lado americano, o tom foi cortês, indo um pouco além das protocolares gentilezas diplomáticas. — Obrigado, senhor presidente, por nos receber aqui hoje. Estávamos ansiosos por esta reunião — declarou Witkoff, antes do início do diálogo. — Conversamos sobre como, quando nos aposentarmos, teremos histórias e lembranças maravilhosas. E nossas conversas com o senhor serão algumas das mais memoráveis. Ao anunciar o envio de seus representantes à Rússia e à Ucrânia, Trump disse que os EUA "têm uma ideia para a paz", e que "talvez tenhamos uma boa chance de conseguir". Mas nos bastidores diplomatas já antecipavam o resultado das conversas deste sábado, na qual os enviados da Casa Branca saíram sem compromissos ou sequer uma perspectiva de um cessar-fogo a curto prazo após pouco mais de três horas. O fato é que, 1.655 dias depois de invadir a Ucrânia, Putin segue irredutível em suas exigências para encerrar o conflito que decidiu lançar em fevereiro de 2022. Dentro dos círculos militares russos, existe a percepção de que o país está obtendo sucessos no campo de batalha, embora observadores independentes questionem os anúncios sobre avanços no leste ucraniano. Na batalha pelos ares, os ataques contra a Ucrânia são cada vez mais violentos, mas a resposta na forma de drones vindos de Kiev causa impactos econômicos, humanos e políticos para o atual governo. — Não há chance de chegar a um acordo sobre a linha de frente até que Putin termine de assegurar a parte restante da região de Donetsk — disse uma fonte do governo russo à agência Reuters, se referindo à região no leste ucraniano que é o epicentro da guerra, acrescentando que, para os comandantes militares, a "missão" delegada pelo Kremlin será concluída até o fim do ano. Nas últimas semanas, o volume dos rumores sobre uma nova rodada de mobilização militar ganha corpo dentro da Rússia, com a potencial convocação de centenas de milhares de homens. Embora o governo negue ter tais planos, muitos russos fazem planos para deixar o país, apostando que o anúncio será feito após as eleições legislativas, em cerca de duas semanas. Na última mobilização, em setembro de 2022, aeroportos e fronteiras ficaram lotados de russos que temiam ser chamados para as linhas de frente da guerra de Putin. Portais e canais no Telegram ligados à oposição já compartilham estratégias e orientações para quem precisar sair do país sem ter problemas. No domingo, Kushner e Witkoff se reunirão com Zelensky em Kiev, teoricamente protegidos pelo compromisso de Putin de não atacar a capital ucraniana até a meia-noite de segunda-feira, pelo horário local. Segundo o ucraniano, seu país "está pronto para se abster de realizar ataques contra Moscou, e esperamos que os russos se abstenham de atacar Kiev". "No âmbito diplomático, nossas ações devem ser — e serão — cem por cento firmes e eficazes. O plano de atividades diplomáticas para amanhã em Kiev, com a participação da equipe americana, foi aprovado", acrescentou Zelensky no Telegram. "Aguardamos a chegada de Steve Witkoff e Jared Kushner e estamos prontos para uma conversa produtiva. Agradeço a todos que estão ao lado da Ucrânia!"
Após reunião com Putin, enviados de Trump deixam Moscou sem compromissos sobre negociações de paz com a Ucrânia
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