Porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, diz ser cedo para falar em data e local de um encontro trilateral, mas afirma que 'qualquer tentativa representa um passo em direção à paz' 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Presidente da Rússia, Vladimir Putin (C), faz reunião com os enviados dos EUA, Steve Witkoff (de costas à esquerda) e Jared Kushner (de costas à direita) — Foto: AFP O Kremlin afirmou nesta segunda-feira que "não descarta" a retomada das negociações com Ucrânia e Estados Unidos para pôr fim à guerra. A declaração ocorre um dia depois de os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner encerrarem uma rodada de reuniões com os presidentes Vladimir Putin, da Rússia, e Volodymyr Zelensky, da Ucrânia, realizada ao longo do fim de semana. — Não descartamos a retomada do formato tripartite, mas ainda é cedo demais para falar sobre o local e as datas específicas — afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov, acrescentando que "qualquer tentativa representa um passo em direção à paz". Em Kiev, no domingo, Witkoff, empresário próximo do presidente americano, Donald Trump, afirmou que Rússia e Ucrânia "terão de fazer concessões" para chegar a uma solução que ponha fim ao conflito, que já dura mais de quatro anos e meio. Presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, recebe os enviados especiais dos EUA, Steve Witkoff (D) e Jared Kushner (C), em Kiev — Foto: AFP — Ambas as partes terão de fazer concessões e reduzir suas divergências, e acreditamos que dispomos dos elementos necessários para alcançar isso — declarou Witkoff durante uma coletiva de imprensa, após os primeiros encontros em Kiev. — É muito difícil, mas estamos determinados, isso é importante para nós e esperamos que tudo isso leve a uma solução diplomática. Zelensky, por sua vez, disse fazer uma "avaliação positiva" das negociações, ainda que tenha admitido que, "por enquanto", tudo indica que a guerra deve se estender. Ele afirmou esperar "muito poder chegar a acordos" com os parceiros americanos e contar com o apoio dos europeus, mas ponderou sobre o cenário mais provável para os próximos meses. — Se a guerra continuar no inverno, e é assim que parece por enquanto, ainda assim as equipes têm uma avaliação positiva de nossas perspectivas futuras — disse o presidente ucraniano, reiterando que temas complexos, como as questões territoriais, só podem ser resolvidos em "nível de líderes". No último sábado, em Moscou, Witkoff e Kushner, genro de Trump, "discutiram planos substanciais", mas sem compromissos públicos. A reunião com Putin, que durou três horas, foi seguida por um jantar com o líder russo, segundo um comunicado de imprensa do Kremlin. Yuri Ushakov, assessor do Kremlin, descreveu posteriormente as conversas como "úteis" e afirmou que os representantes americanos "se prepararam seriamente para esta viagem". Ele disse que a equipe americana manifestou interesse em encerrar as hostilidades o mais rápido possível e ofereceu "uma série de considerações sobre possíveis caminhos para um acordo". Até então, os esforços diplomáticos estavam estagnados, em parte devido ao envolvimento de Washington no conflito com o Irã, enquanto Moscou e Kiev intensificaram os ataques de longo alcance. O fato é que, 1.655 dias depois de invadir a Ucrânia, Putin segue irredutível em suas exigências para encerrar o conflito que decidiu lançar em fevereiro de 2022. Trump não quis detalhar se o plano levado pelos enviados inclui uma eventual cessão de territórios por parte da Ucrânia, hipótese que ele já havia sugerido anteriormente, mas declarou: "Temos uma ideia para a paz". Uma fonte do governo ucraniano, ouvida sob condição de anonimato pela agência de notícias AFP, afirmou que a proposta apresentada pelos representantes americanos "não é a mesma coisa que antes". A autoridade não revelou detalhes do suposto plano discutido, mas apontou que a proposta "é mais eficaz". Com AFP