Trump endurece o tom e ameaça bombardear pontes e centrais elétricas do IrãApós uma nova rodada de bombardeios americanos e relatos de explosões em diferentes regiões do Irã, o presidente americano Donald Trump ameaçou ampliar os alvos. Crédito: various sources / AFPGerando resumoO Pentágono alterou a forma como divulga as baixas da guerra contra o Irã e anunciou um aumento no número de militares americanos feridos no conflito. A mudança ocorre após críticas de que o Departamento de Defesa teria minimizado o total de soldados mortos e feridos e em meio a uma pausa nos ataques americanos ao país persa.PUBLICIDADEPelo novo modelo de divulgação, anunciado no domingo, 27, as baixas registradas desde 7 de julho, data em que o cessar-fogo começou a ruir e os confrontos voltaram a se intensificar, deixaram de aparecer na mesma página que reúne os dados da guerra desde seu início. Agora, esses casos são informados em uma nova seção do site do Pentágono, chamada genericamente de “baixas em operações no exterior”.Na prática, a alteração obriga quem consulta os dados a somar informações de páginas diferentes para chegar ao número total de mortos e feridos.PublicidadeCom a atualização, o Sistema de Análise de Baixas da Defesa voltou a incluir quatro militares mortos no último fim de semana, cujos registros haviam sido retirados da contagem principal. No entanto, eles passaram a figurar em uma categoria separada, sem explicação detalhada sobre a mudança.O Pentágono também revisou para cima o número de militares feridos desde 7 de julho. Antes, a pasta informava menos de 100 feridos no período. Agora, o total passou para 207, elevando para 624 o número de militares americanos feridos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro. O total de mortos é de 18.Na semana passada, o principal porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, havia afirmado que o número de militares feridos desde 7 de julho era inferior a 100. À época, o governo também não havia divulgado o impacto de diversos ataques iranianos contra bases que abrigavam tropas americanas na região.PublicidadeDepartamento de Defesa dos Estados Unidos revisou a forma de divulgar o número de militares mortos e feridos na guerra contra o Irã. Foto: Carolyn Kaster/AP Em resposta às críticas, Parnell declarou que as acusações de ocultação de informações eram “fabricações destinadas a aumentar ainda mais a angústia do povo americano após a morte de três militares em combate”.Neste domingo, um porta-voz do Pentágono encaminhou os questionamentos sobre os novos números e o sistema de divulgação para a Casa Branca, que não respondeu imediatamente aos pedidos de esclarecimento.Na semana passada, o The New York Times revelou que o Pentágono havia reduzido de 18 para 14 o número oficial de militares mortos na guerra contra o Irã. A mudança provocou forte reação entre veteranos, familiares de militares e parlamentares.PublicidadeSegundo autoridades militares ouvidas pelo jornal sob condição de anonimato, os quatro militares mortos na Jordânia e no Iraque haviam sido retirados da contagem porque morreram após o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã em abril.Na quinta-feira, o secretário de imprensa interino do Pentágono, Joel Valdez, atribuiu a alteração a “falhas temporárias de dados” no site oficial, afirmando que o problema seria corrigido rapidamente.Até a manhã de sábado, porém, a página oficial da Operação Epic Fury, nome dado pelo Departamento de Defesa à guerra contra o Irã, ainda registrava apenas 14 militares mortos.PublicidadePUBLICIDADENo domingo, a nova categoria “operações no exterior” foi adicionada ao site, incluindo as quatro mortes com a observação: “Baixas em operações no exterior a partir de 7 de julho de 2026”.Em meio à crescente pressão sobre o governo, um grupo de senadores democratas enviou na quinta-feira uma carta ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, pedindo uma “prestação de contas completa” sobre o número de militares mortos e feridos.Os parlamentares afirmaram que o público, o Congresso e as famílias dos militares têm direito a uma divulgação transparente sobre o custo humano da guerra. Segundo eles, as informações disponíveis indicam que o Departamento de Defesa não forneceu dados completos e em tempo hábil ao longo do conflito.PublicidadeNos dias que antecederam os ataques que mataram três soldados na Jordânia, outras três ofensivas iranianas já haviam deixado dezenas de militares feridos. Esses casos também não foram divulgados imediatamente pelo Pentágono, alimentando questionamentos sobre a transparência do governo.O presidente Donald Trump sustenta que a atual escalada representa um novo conflito com o Irã, e não apenas a continuidade da guerra iniciada em fevereiro. Segundo ele, o conflito anterior terminou com o cessar-fogo firmado em abril.Em 10 de julho, Trump comunicou oficialmente ao Congresso que as hostilidades haviam sido retomadas. O governo argumenta que essa nova fase reinicia a contagem do conflito, inclusive para a classificação oficial de mortos e feridos.A Lei dos Poderes de Guerra, de 1973, determina que o presidente encerre operações militares em até 60 dias, salvo autorização do Congresso para sua continuidade. Na quinta-feira, a Câmara dos Representantes voltou a aprovar uma resolução pedindo que Trump encerre a guerra contra o Irã ou obtenha autorização formal do Congresso para prosseguir com a ofensiva, refletindo o aumento da insatisfação, inclusive entre parlamentares dos dois partidos.Leia tambémMuro de tarifas erguido por Trump dificilmente será demolido por outros presidentesTarifas de Trump contra o Brasil tornam diversificação de mercados ainda mais urgenteEUA suspendem ataques aéreos ao Irã enquanto negociações tentam evitar nova escalada