Quando lançou "Povo de Deus - Quem São os Evangélicos e Por Que Eles Importam", em 2020, o antropólogo e colunista da Folha Juliano Spyer precisava convencer um leitor específico a olhar com menos desconfiança e preconceito para uma fé cada vez mais popular nas periferias. Não por acaso chamou Caetano Veloso para assinar o prefácio.
"Era um livro escrito para o leitor progressista, com diploma superior, que em geral não quer saber de evangélico ou fica assustado quando o assunto é religião e política", diz. "A apresentação do Caetano servia para esse leitor me dar uma chance ao encontrar o livro na prateleira da livraria."
A estratégia funcionou, e "O Povo de Deus" chegou às mãos até de Lula (PT). Seis anos depois, Spyer quer atingir também outro interlocutor. Em "O Brasil dos Evangélicos: O Que o Crescimento Pentecostal Significa para o País", da Planeta e que chega às lojas nesta semana, o prefácio é do bispo Abner Ferreira, presidente de uma das alas mais poderosas da Assembleia de Deus no Brasil, o Ministério Madureira.
O antropólogo e colunista da Folha Juliano Spyer em encontro no jornal - Eduardo Knapp/Folhapress
É um nome de credenciais conservadoras, escolhido para sinalizar aos crentes que eles também são destinatários do título. "Abner é um líder que esse leitor respeita. E o leitor que não é evangélico verá uma liderança importante escrevendo um prefácio não religioso sobre uma obra de ciência social. Isso já mostra o tipo de conversa que o livro propõe."








