Depois de cumprir as etapas acadêmicas e administrativas, o professor e doutor em Estudos Literários Vitor Cei assinou, na tarde da segunda-feira 7, o termo de outorga da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo, última etapa formal do processo para realizar o estágio técnico-científico na Universidade NOVA de Lisboa, em Portugal, com o estudo intitulado “O trabalho surdo da destruição: pessimismo cristão e niilismo nos primeiros romances de Machado de Assis à luz do cristofascismo bolsonarista”.

Antes de cumprir os trâmites previstos em lei, o projeto acabou, no entanto, no centro de uma controvérsia. A pesquisa, que analisará os primeiros romances do maior escritor brasileiro à luz da manipulação religiosa atual, tornou-se alvo de críticas de parlamentares bolsonaristas, ataques nas redes sociais e críticas ao uso de recursos públicos. A repercussão do projeto extrapolou o título da pesquisa e levou ao centro da discussão a autonomia universitária, a liberdade de pesquisa e os limites da atuação política sobre estudos científicos aprovados por critérios técnicos. Para Cei, a reação começou, porém, antes de o conteúdo do trabalho ser conhecido. Segundo ele, a maioria das críticas concentrou-se no título do projeto, ignorando o percurso acadêmico que antecedeu a aprovação. O estudo investiga como conceitos da filosofia e da crítica literária podem contribuir para compreender fenômenos políticos e religiosos contemporâneos. O objeto são os quatro primeiros romances de Machado de Assis: Ressurreição, A Mão e a Luva, Helena e Iaiá Garcia.