Foram os avanços tecnológicos que retiraram a humanidade da miséria generalizada que predominava antes do surgimento da agricultura. Se, nos primórdios, os efeitos das inovações se faziam sentir lentamente, no ritmo dos séculos e das gerações, hoje eles se propagam com muito mais velocidade e podem ser percebidos pelos próprios indivíduos ao longo da vida.

Boa parte da população atual cresceu antes da popularização da internet e só teve contato com um celular na idade adulta. Em áreas como a inteligência artificial, avanços relevantes ocorrem na escala de meses.

Não se deve subestimar o quanto as tecnologias da informação facilitam o cotidiano. O acesso a serviços públicos e privados tornou-se muito mais simples.

Filas de banco praticamente desapareceram. Hoje é possível assinar documentos sem sair de casa e, em um futuro talvez não tão distante, votar pelo celular ou participar de outras decisões cívicas, ampliando a participação popular na democracia.

É preciso, porém, evitar que esse entusiasmo se converta em exclusão social. Alguns grupos, especialmente os idosos, não lidam com a mesma facilidade com a lógica de aparelhos e aplicativos. Não é razoável que essa dificuldade se transforme em barreira ao acesso a serviços. Mas é justamente o que vem ocorrendo.