A poesia de Ana Paula Tavares guarda muitas feridas. Ao ler seu trabalho, é possível antever as dores do colonialismo, mas também aquelas provocadas pelo patriarcado. Na tarde deste sábado (25), a poeta angolana refletiu sobre cada uma dessas chagas históricas em uma das mesas mais concorridas da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip.
No auditório da Matriz, principal espaço do evento, centenas de pessoas se reuniram para ouvir a escritora. No telão posicionado no lado de fora, outros tantos admiradores se aglomeravam para acompanhar a mesa, mediada pelo poeta Tarso de Melo.
Todo esse interesse do público não é sem motivo. Tavares, afinal, é um dos principais nomes da literatura contemporânea em língua portuguesa.
O prestígio ficou ainda mais evidente no ano passado, quando ela ganhou o prestigiado prêmio Camões. Nome de destaque da Flip, a poeta lança na feira literária o livro de crônicas "O Sangue da Buganvília", volume publicado pela editora Pallas.
A exemplo do que acontece na poesia, o trabalho de Tavares em prosa joga luz sobre assuntos que muitos gostariam que continuassem nas sombras, como as heranças do patriarcado e do colonialismo em Angola.












