Ana Paula Tavares é uma anatomista do corpo feminino. Por meio da poesia, ela se debruça sobre veias, lábios e ventres para dissecar a feminilidade em suas diferentes facetas. Em um exame minucioso, a angolana retrata a mulher não como objeto de estudo, mas como um ser desejante e emancipado.
"Conhecia muitas alusões ao corpo feminino sempre com um olhar de fora e descritivo", diz a poeta. "E eu me interrogava: ‘O que as mulheres pensam sobre o seu próprio corpo?’"
É uma das perguntas que movem o projeto estético da escritora, um dos nomes mais respeitados da literatura contemporânea em língua portuguesa, vencedora do prêmio Camões e convidada de destaque na Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, na próxima semana.
Doutora em antropologia pela Universidade Nova de Lisboa e professora da Universidade Católica de Lisboa, a autora de 73 anos escreveu livros como "O Lago da Lua" e "Amargos como os Frutos", coletânea de poesia publicada no Brasil pela Pallas.
Algumas de suas produções reviram as vísceras do eu lírico para revelar o que se passa em sua subjetividade. É o que pode ser sentido em um dos poemas de "Ritos de Passagem" —primeiro livro da autora, publicado em 1985.








