Nathacha Appanah pensa com frequência em Alana Rosa, a jovem de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, que sobreviveu a uma tentativa de feminicídio após rejeitar um pedido de namoro.

"Ela foi esfaqueada dezenas de vezes e compareceu ao julgamento [do algoz] de cabeça erguida. Que exemplo para todas nós", diz a escritora, que nasceu nas Ilhas Maurício e vive na França.

Appanah diz precisar confessar uma coisa. "Eu me senti humilhada pelos muitos encontros que tive desde que o livro foi lançado."

Refere-se a "Noite no Coração", vitorioso em premiações francesas de relevo, como Femina e Goncourt des Lycéens, e publicado no Brasil agora pela Bazar do Tempo. É sobre ele que Appanah falará nesta sexta-feira (24), em mesa da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty, ao lado da brasileira Bethânia Pires Amaro.

O que impressionou a autora, que também é jornalista, foram as reações "daquelas que chamamos de vítimas ou sobreviventes" e que "são as pessoas mais fortes que já conheci". Para escrever seu novo livro, conheceu mulheres que compartilharam suas histórias de violência doméstica da maneira mais digna possível, diz em entrevista.