Ao responder a cartas de leitores que classificaram o texto 'Filosofias do português', publicado no jornal, como uma 'obra-prima', ela reflete sobre a literatura e língua portuguesa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 A escritora e colunista Martha Batalha — Foto: Ana Branco RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 25/06/2026 - 17:19 Martha Batalha é aclamada por crônica sobre tempos verbais na língua portuguesa Martha Batalha, colunista do Segundo Caderno, recebeu elogios de leitores por sua crônica "Filosofias do português", que explora a riqueza dos tempos verbais na língua portuguesa. Leitores como Otávio Augusto de Castro Bravo de São Paulo a consideraram uma "obra-prima". Batalha discute como tempos verbais expressam complexidades da alma, destacando o futuro do pretérito como um tempo filosófico. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Na crônica “Filosofias do português”, publicada no Segundo Caderno, a colunista Martha Batalha toma a diversidade de tempos verbais para exemplificar como eles existem "para expressar as complexidades da alma". O texto de Martha foi elogiado por leitores como Otávio Augusto de Castro Bravo, de São Paulo, que o definiu como uma "obra-prima". Veja abaixo a resposta da colunista, que a partir das cartas fala sobre a literatura de modo geral, e do gênero de modo específico: "A crônica é um dos textos mais políticos de um jornal". Carta dos leitores | Mais-que-perfeito: cronista responde sobre a língua portuguesa Na crônica, Martha afirma, por exemplo, que o futuro do pretérito "é o mais filosófico dos tempos verbais". "Nasceu da insatisfação com o presente e da necessidade de alimentar um segundo mundo, imaginário e intransferível", escreve ela. "Você estudaria se pudesse voltar no tempo. (...) Deveria ter pedido desculpas e poderia ter dito que gostava. Mas você não disse, não fez e não foi, e agora tem que arcar com o peso das escolhas, do remorso e da inércia, tangíveis pelo futuro do pretérito". E ainda cita uma frase de Millôr Fernandes para dizer que "nós temos, como o Brasil, um passado pela frente e pelos lados. Complexas conjugações para lidar com o vasto universo além do presente. Com o que poderia ou poderá se dar." Leia a íntegra das cartas dos leitores: “No GLOBO, Martha Batalha, sempre ótima, tocou em um assunto tão pouco valorizado e tão importante: a riqueza da língua portuguesa e das neolatinas de um modo geral (‘Filosofias do português’, 17 de junho). Mais do que falar, elas permitem expressar filigranas dos sentimentos, apenas mudando o tempo verbal. O inglês, tão valorizado, não tem essa riqueza. Usam três tempos verbais e estamos conversados. Lamento que a juventude atual, habituada a encurtar palavras para facilitar a digitação, esteja perdendo a sensibilidade para perceber a mudança de um sentimento só pela alteração de duas ou três letras no final de uma mesma palavra. Só discordo dela quanto ao pretérito mais que perfeito. Pode estar em desuso, mas é lindo. Escutem Maria Bethânia declamando ‘O mais que perfeito’, de Vinicius de Moraes. (Talita Romero Franco, Rio) “A crônica de Martha Batalha ‘foi’ e ‘é’ uma obra-prima. Falando do beijo que ‘poderia ter sido’ dado e do amor que ‘poderia ter acontecido’, ela foi menos filosófica do que poética. Não ‘poderia ter sido’ melhor. (Otávio Augusto de Castro Bravo, São Paulo, SP)