Os ingressos para a mesa da tarde desta quinta-feira, na Festa Literária Internacional de Paraty, estiveram entre os primeiros a se esgotar. No primeiro dia de vendas, já acabaram. E no palco não havia estrelas internacionais, mas um encontro de Andréa del Fuego e Paulliny Tort, duas pratas em ascensão nas estantes brasileiras —sinal melhor não o há do bom momento da literatura nacional hoje.

Foi a primeira participação de Del Fuego no festival, mesmo com sua carreira de mais de duas décadas. A paulista já venceu o prêmio José Saramago pelo romance "Os Malaquias", ficou mais conhecida pelo sucesso de "A Pediatra" e relançou recentemente a coletânea de textos curtos "Nego Tudo", todos na Companhia das Letras.

Paulliny é autora de "Os Imortais", da editora Fósforo, um dos romances mais elogiados do ano, que cativou a crítica com sua trama sobre um périplo de um clã de neandertais na pré-história. A brasiliense se projetou antes com a coletânea de contos "Erva Brava".

"Fabular, fantasiar, imaginar é a vida em si", afirmou Paulliny diante de uma pergunta sobre como funciona seu processo criativo feita pela mediadora Micheline Alves —um tema que, grosso modo, tomou toda a conversa.

"Vivemos muito conformados num sistema muito prático, como se a base da vida fosse sobreviver. Temos a imaginação como uma coisa menor. Tudo que não gera valor de mercado parece que não tem muito interesse, mas é justamente o oposto." "Só a imaginação pode fazer acontecer o contato íntimo com o próprio mundo", completou Del Fuego.