Manifestação mantém pressão e expõe limites da estratégia de comunicação de Modi do governo indiano 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Manifestantes com cartazes participam de um protesto em Mumbai, em 24 de julho de 2026, em solidariedade ao protesto em curso do Partido Popular Barata (CJP) em Jantar Mantar, Nova Delhi, exigindo a renúncia do Ministro da Educação do país, Dharmendra Pradhan, devido a supostas irregularidades no exame NEET — Foto: Foto porINDRANIL MUKHERJEE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 24/07/2026 - 13:26 Geração Z na Índia Pressiona Governo Modi por Reformas Educacionais O "Partido das Baratas", um movimento liderado pela Geração Z na Índia, mantém protestos exigindo reformas educacionais, desafiando o governo Modi. Apesar das concessões do premier, incluindo um vídeo-selfie e a exoneração de um funcionário, os manifestantes continuam pressionando por mudanças significativas, como a renúncia do ministro da Educação. O movimento, surgido de um meme, destaca a crescente insatisfação com o governo e o uso criativo das mídias sociais como ferramenta de oposição. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As negociações entre o governo indiano e o movimento juvenil do autodenominado Partido Popular das Baratas (CJP), liderado pela Geração Z, não avançaram nesta sexta-feira, enquanto manifestantes se reuniam na capital e em outras cidades da Índia para pressionar cada vez mais o governo por uma reforma do sistema educacional, entre outras reivindicações. Horas antes, durante a madrugada, o primeiro-ministro Narendra Modi tentou conter os protestos ao gravar um vídeo-selfie, incomum para o estilo de comunicação de seu governo, fazendo novas concessões aos estudantes, mas não chegou a anunciar a demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, um importante aliado político e um dos principais alvos da revolta. No vídeo, gravado sem muita preparação, Modi, que governa o país há mais de uma década, prometeu criar tribunais de julgamento rápido para garantir justiça ágil e punições severas aos responsáveis pelos vazamentos de provas de exames públicos, que desencadearam a revolta em maio. Ele também exonerou o principal funcionário público do Ministério da Educação, transferindo-o para outro departamento. — Sei que o vazamento de uma prova não é um problema pequeno. Para milhões de estudantes e pais, é profundamente doloroso. É por isso que tomamos diversas medidas. Os culpados foram presos e estão na cadeia — diz o premier na gravação. — Faremos todos os esforços para que o projeto de lei seja apresentado e aprovado pela Câmara o mais breve possível. Mas não foi o suficiente para conter os protestos desta sexta-feira, e os líderes estudantis em Jantar Mantar, principal local de protesto no centro de Nova Délhi, prometeram continuar as manifestações. O local foi palco de distúrbios e violência durante a semana, que se intensificaram depois que a polícia disparou gás lacrimogêneo e usou cassetetes contra os manifestantes que tentavam marchar até o Parlamento. Mais tarde nesta sexta-feira, os ministros JP Nadda e Jitendra Singh reuniram-se com líderes do CJP para duas horas de conversações sobre as reivindicações do grupo. Ambas as partes afirmaram que as negociações seriam retomadas no sábado. — Deixamos bem claro que nada menos que a renúncia de Dharmendra Pradhan ou sua destituição do Gabinete da União seria aceitável — disse Ashutosh Ranka, porta-voz do CJP, a repórteres após a reunião. Manifestantes portando bandeiras nacionais indianas participam de um protesto em Mumbai, em 24 de julho de 2026, em solidariedade ao protesto em curso do CJP em Jantar Mantar, Nova Déli — Foto: INDRANIL MUKHERJEE / AFP As autoridades fecharam 17 estações de metrô em áreas centrais da capital antes do protesto desta sexta-feira e ergueram barricadas em ruas de distritos governamentais. Usuários de telefonia móvel relataram interrupções nos serviços de internet perto do local do protesto. Em Jantar Mantar, a estudante Sushmita, de 20 anos, disse que sentia que o governo estava protelando a questão por muito tempo. — Por que o governo demorou tanto para anunciar as medidas? — disse ela à AFP. — Não sei como Modi e este governo poderão voltar a pedir nosso apoio nas próximas eleições. Imagem abalada Uma série de irregularidades alimentou a indignação pública, inicialmente engatilhada pelo vazamento de uma prova de admissão para medicina, obrigando milhões de pessoas a refazer o exame, e uma falha em um sistema de correção on-line para alunos do ensino médio. O movimento então evoluiu para incluir preocupações com o desemprego, as oportunidades para os jovens e o que os críticos classificam como o estilo de governo cada vez mais autoritário de Modi — um dos maiores desafios à administração do nacionalista hindu desde sua reeleição em 2024. Enquanto os manifestantes expressam sua raiva contra as falhas econômicas da Índia e a falta de responsabilização, os cartazes e slogans agora têm como alvo direto o premier. Normalmente criticado apenas em sussurros, o líder autoritário de repente se viu alvo de piadas e provocações, com manifestantes vandalizando outdoors com sua imagem e zombando dele em versos, compartilhando as imagens on-line para uma audiência de milhões. Manifestantes exibem cartazes durante um protesto no Freedom Park, em Bengaluru, em 24 de julho de 2026, em solidariedade à manifestação em curso em Jantar Mantar, Nova Déli — Foto: IDREES MOHAMMED / AFP O Estado indiano, cuja vasta autoridade está cada vez mais centrada na imagem de Modi, tem tido dificuldades em acompanhar a criatividade e a tenacidade dos manifestantes, muito engajados on-line. Anurag Minus Varma, autor de um livro sobre como os algoritmos das redes sociais estão transformando a Índia, afirmou que a mobilização massiva nas ruas dissipou o medo e ofereceu uma válvula de escape para a raiva reprimida. — Graças ao conforto proporcionado pela multidão, agora as pessoas podem expressar suas opiniões — disse Varma ao New York Times. — E quando expressam suas opiniões, é quase um desabafo, porque todas as válvulas de segurança da democracia foram fechadas por este regime em particular. Tudo começou com um protesto pacífico em Nova Délhi exigindo a renúncia do ministro da Educação, sem o premier como foco. No último fim de semana, porém, policiais à paisana abriram caminho à força entre os apoiadores de um proeminente ativista que havia iniciado uma greve de fome, o arrastaram para um hospital e começaram a dispersar o acampamento do protesto. Nos dias que se seguiram, Modi manteve-se praticamente em silêncio. E a resposta desdenhosa do seu governo — com Pradhan chamando os manifestantes de "equipe B de grupos terroristas" — expôs um fosso geracional. Era o tipo de condescendência que os manifestantes chamam de "fala do tio do WhatsApp" — um discurso moralista e unilateral que tomou conta do espaço público da Índia, à medida que o Partido Bharatiya Janata (BJP), de Modi, domina a plataforma para promover sua agenda com textos que são devidamente encaminhados por seus apoiadores. Foi nesse tom que muitos jovens indianos ouviram o presidente do Supremo Tribunal da Índia, em meados de maio, comparar os jovens desempregados do país a parasitas e "baratas". Em resposta, um estudante de pós-graduação criou o satírico CJP. O nome, além do inseto, traz uma referência ao partido de Modi — em suas versões originais, ambos levam a palavra "Janata", que em hindi significa "do povo" ou "popular". O grupo rapidamente viralizou no Instagram, onde tem quase 26 milhões de seguidores. Joyojeet Pal, professor da Universidade de Michigan que estuda comunicação política na Índia, afirmou ao NYT que os protestos demonstraram que o controle centralizado do espaço informacional, do qual Modi desfrutou na última década, pode não estar mais funcionando. O estilo de comunicação verticalizado do governo não se adapta bem aos algoritmos das redes sociais, que agora priorizam a autenticidade, disse ele. Desde a chegada do BJP ao poder, em 2014, seus críticos o acusam de promover uma agenda nacionalista pró-hindu, inflamando divisões religiosas, silenciando críticos e testando o tecido institucional da maior democracia do mundo. O país aparece na posição 157 (de 180) no ranking de liberdade de imprensa da ONG Repórteres Sem Fronteiras, e é classificado como "parcialmente livre" pela organização Freedom House. A grande dúvida é se o CJP permanecerá no campo das ideias e do ativismo digital ou se tomará rumos similares aos de outros movimentos recentes no sul da Ásia, liderados pela Geração Z. Em 2024, a chamada Revolução das Monções derrubou a presidente de Bangladesh, Sheikh Hasina, que comandava o país desde 2009, mas não conseguiu ganhos reais nas eleições de fevereiro. No ano passado, o banimento de redes sociais e a ostentação da elite política e econômica serviu de combustível para uma violenta onda de protestos no Nepal, que derrubaram o governo e elegeram seus representantes nas eleições de março. O atual premier, Balen Shah, é um ex-rapper de 36 anos, o mais jovem chefe de governo no mundo. As próximas eleições gerais na Índia acontecerão em 2029. Com AFP e New York Times.
Liderado pela geração Z, 'Partido das Baratas' mantém protestos na Índia após rejeitar concessões de premier Modi
Manifestação mantém pressão e expõe limites da estratégia de comunicação de Modi do governo indiano













