Desde o início da manhã desta segunda-feira, manifestantes seguiram a pé para o centro de Nova Délhi, carregando bandeiras e cartazes que pediam ao governo que 'acorde e escute' Um manifestante atira de volta uma bomba de gás lacrimogêneo em direção à polícia enquanto apoiadores do Partido Janata das Baratas marcham em direção ao parlamento no dia da abertura da sessão de monções, exigindo a renúncia do Ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, devido ao vazamento de provas, em Nova Delhi, Índia , 20 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Adnan Abidi Milhares de apoiadores do movimento das "baratas", liderado por jovens, desafiaram as ordens policiais e protestaram em Nova Délhi, enquanto a indignação com os problemas do sistema educacional da Índia ameaçava se transformar em um desafio mais amplo ao governo do primeiro-ministro Narendra Modi. Desde o início da manhã desta segunda-feira, manifestantes seguiram a pé para o centro da capital indiana, carregando bandeiras e cartazes que pediam ao governo que "acorde e escute". O Cockroach Janta Party (CJP), ou Partido do Povo Barata, começou como uma campanha satírica nas redes sociais criada pelo estudante de pós-graduação Abhijeet Dipke, nos Estados Unidos. Posteriormente, o grupo se transformou em um movimento nacional que reivindica amplas reformas no sistema educacional da Índia para combater a corrupção e ampliar a justiça e a igualdade de oportunidades. Nesta segunda-feira, o CJP afirmou que um ministro do governo federal prometeu que o Executivo analisará suas reivindicações, apesar das tentativas da polícia de dispersar manifestantes do grupo com bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetete. A decisão da polícia de remover à força para um hospital, no sábado, o ativista Sonam Wangchuk, que fazia greve de fome, deu novo impulso ao movimento. Os membros exigem a renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, por causa do vazamento de provas de exames nacionais de admissão para faculdades de medicina, que obrigou cerca de 2 milhões de estudantes a refazer o teste. Outras exigências inlcuem a libertação de Wangchuk e o pagamento de indenização de 10 milhões de rúpias (US$ 104 mil) para cada candidato a exames que morreu por suicídio, número estimado pela imprensa em cerca de uma dúzia de pessoas. Milhares de jovens apoiadores passaram a noite reunidos no local do protesto, em Jantar Mantar, em Nova Délhi, antes da marcha realizada no primeiro dia da sessão de monções do Parlamento. "Renuncie, renuncie", gritavam os manifestantes. "Dharmendra Pradhan, renuncie", "Narendra Modi, renuncie", diziam em hindi, referindo-se ao ministro da Educação e ao primeiro-ministro. Centenas de policiais e agentes de forças paramilitares foram mobilizados pela capital, bloqueando manifestantes que marchavam entoando palavras de ordem e carregando a bandeira nacional. O ministro da Saúde, J.P. Nadda, pediu tempo para discutir as reivindicações do CJP dentro do governo, afirmou Ashutosh Ranka, porta-voz nacional do movimento, em publicação na rede X nesta segunda-feira. Segundo analistas, a rápida popularidade do CJP reflete a frustração dos jovens indianos com problemas como a escassez de empregos e os frequentes vazamentos de provas de exames. Apoiadores do Partido do Povo Barata marcham em direção ao parlamento no dia da abertura da sessão de monções, exigindo a renúncia do Ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, devido ao vazamento de provas, em Nova Delhi, Índia , 20 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Adnan Abidi Repórteres da Reuters viram dezenas de jovens seguindo em direção ao local do protesto, enquanto barreiras policiais nas vias de acesso ao centro de Nova Délhi provocavam congestionamentos. Imagens de televisão mostraram policiais usando cassetetes contra alguns manifestantes em uma área da cidade. A polícia de Nova Délhi, porém, negou o uso da força e afirmou que "o protesto está sendo conduzido de maneira profissional". Jornalistas da Reuters também informaram que agentes de segurança dispararam bombas de gás lacrimogêneo nas proximidades do Parlamento para dispersar a multidão. Em outros pontos, alguns manifestantes atiraram pedras contra policiais. "Todos esses líderes que estão no poder são analfabetos. Estou aqui protestando porque não queremos mais vazamentos de provas", disse Adi Nathan, de 21 anos, estudante da cidade de Meerut, a cerca de 100 quilômetros da capital. "Isso precisa acabar." Mohammed Tabrez, de 22 anos, que se prepara para exames competitivos que dão acesso a cursos profissionais ou empregos, disse que viajou de Amroha, no Estado de Uttar Pradesh, no norte do país, a cerca de 165 quilômetros de Nova Délhi. Dipke e seus apoiadores iniciaram um protesto permanente no mês passado exigindo a renúncia de Pradhan. Wangchuk se juntou ao grupo em 28 de junho, iniciando uma greve de fome por tempo indeterminado. Em uma nota manuscrita, Wangchuk pediu às autoridades do hospital que lhe permitissem participar da marcha desta segunda-feira, ainda que temporariamente. Mais cedo nesta segunda-feira, ele se dispôs a encerrar a greve de fome caso o governo aceitasse três condições, entre elas assumir responsabilidade pelo que classificou como falhas recentes no sistema educacional e pelos vazamentos de provas. Ele afirmou ainda que encerrará o protesto caso parlamentares e líderes de partidos políticos o visitem no hospital e garantam que essas condições serão atendidas.