Protesto contra fraude em vestibular de Medicina leva milhares de jovens às ruas na ÍndiaPoliciais dispersaram manifestantes que marchavam em direção ao Parlamento, em Nova Délhi, para exigir a renúncia do ministro da Educação. Crédito: APGerando resumoNOVA DÉLHI - Policiais dispersaram nesta segunda-feira, 20, milhares de manifestantes que marchavam em direção ao Parlamento, em Nova Délhi, para denunciar irregularidades em vestibulares e exigir a renúncia do ministro da Educação da Índia, Dharmendra Pradhan.PUBLICIDADEOs agentes lançaram gás lacrimogêneo e avançaram contra os manifestantes com golpes de cassetetes após eles tentarem romper as barricadas de segurança que cercavam o local dos protestos, no centro da capital indiana. Apesar da repressão, muitas pessoas continuaram marchando em direção ao Parlamento em pequenos grupos.Os manifestantes foram convocados pelo Partido do Povo Barata (CJP, na sigla em inglês), criado em maio após o presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, comparar alguns jovens desempregados a “baratas” durante uma audiência sem relação com o tema.PublicidadePoliciais dispersaram manifestantes que tentavam marchar em direção ao Parlamento da Índia, em Nova Délhi. Foto: Vipin/APO CJP não é um partido formal, mas um movimento satírico que ficou conhecido como “movimento das baratas” e atraiu milhões de seguidores nas redes sociais. Ele foi fundado pelo estrategista de comunicação política e estudante da Universidade de Boston Abhijeet Dipke. Em entrevista à BBC, em maio, Dipke disse que a ideia surgiu como uma piada.O movimento, no entanto, passou a denunciar escândalos envolvendo fraudes em vestibulares. Em maio, a prova de admissão para cursos de Medicina, realizada por mais de 2 milhões de estudantes, foi anulada por irregularidades. Segundo a imprensa indiana, o cancelamento levou alguns candidatos a cometer suicídio.O episódio provocou indignação popular e levou aos protestos desta segunda-feira. No domingo, os policiais afirmaram que o ato era ilegal.PublicidadeO porta-voz do CJP, Saurav Das, acusou as autoridades de promoverem uma “repressão brutal” contra “manifestantes pacíficos”. Os policiais, por sua vez, afirmaram que o protesto não havia sido autorizado e que as restrições eram necessárias para manter a ordem pública nos arredores do Parlamento durante a sessão parlamentar. Desde a abertura da sessão desta segunda-feira, o líder da oposição na Câmara Alta, Mallikarjun Kharge, denunciou o uso da força policial. “O governo tenta usar a força para silenciá-los”, afirmou. “Trata-se do futuro de centenas de milhares de nossos filhos.”Leia tambémQueda de avião militar deixa cinco mortos na Índia; vídeoIncêndio atinge prédio em Nova Délhi e deixa ao menos 21 mortosÍndia bate recorde de consumo de energia elétrica em meio onda de calorO CJP impulsionou os protestos no país e atraiu jovens que já não aceitam a dificuldade de encontrar emprego após concluir o ensino superior, apesar do forte crescimento econômico da Índia.PublicidadeA multidão reunida em Jantar Mantar, local em Nova Délhi destinado a protestos, a poucos quilômetros do Parlamento, incluía estudantes, profissionais e famílias com crianças pequenas. Ao longo do dia, o ato se espalhou para além da área reservada, com manifestantes ocupando ruas e vias próximas.Muitos carregavam mochilas com água e comida, esperando uma longa jornada. Outros agitavam bandeiras indianas enquanto gritos contra o ministro da Educação e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, ecoavam entre a multidão crescente.“Modi não fez, até agora, muito para se preocupar com os jovens”, criticou a manifestante Shubhi Rao, de 16 anos, nesta segunda-feira.PublicidadePoliciais dispersaram manifestantes que tentavam marchar em direção ao Parlamento da Índia, em Nova Délhi. Foto: Vipin/APPUBLICIDADEO ativista Sonam Wangchuk, de 59 anos, iniciou em 28 de junho uma greve de fome para apoiar suas reivindicações. No entanto, no sábado, 18, ele foi internado à força porque seu estado de saúde gerava preocupação.Apoiadores do “movimento das baratas” estão acampados em Jantar Mantar há um mês, com integrantes de vários grupos estudantis se juntando à greve de fome de Wangchuk. Milhares de apoiadores também participaram de atos em universidades e manifestações em outras cidades.Além da renúncia de Pradhan, eles exigem reformas no sistema de exames e indenização às famílias de estudantes que morreram por suicídio após vazamentos de provas.PublicidadePradhan acusou os manifestantes de agirem contra a nação. Apesar de, inicialmente, outros ministros terem afirmado que não havia necessidade de dialogar ou negociar com o movimento, o ministro da Saúde, JP Nadda, se reuniu com o porta-voz do CJP nesta segunda-feira.Das afirmou que apresentou a Nadda as reivindicações dos manifestantes, incluindo a renúncia imediata ou a destituição de Pradhan./Com informações da AFP e da AP