Manifestantes voltam às ruas de Nova Déli para exigir responsabilização do governo por falhas no ensino e vazamentos de exames; pelo menos 150 ficaram feridos 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Manifestantes marcham em Mumbai em apoio aos protestos em Nova Délhi, que exigem a renúncia do ministro da Educação por supostas irregularidades em exames — Foto: Punit PARANJPE / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/07/2026 - 16:03 Protestos estudantis na Índia exigem reformas educacionais e enfrentam repressão Jovens indianos voltaram a protestar em Nova Déli contra o sistema educacional falho e vazamentos de exames, enfrentando repressão policial violenta. As manifestações, lideradas pelo Cockroach Janta Party, pedem responsabilização do governo e já feriram 150 pessoas. A insatisfação cresce, com apoio de figuras como Sonam Wangchuk, e se espalha pelo país, desafiando o governo de Narendra Modi. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Eles chegaram à capital indiana aos milhares. Jovens exigindo que o governo fosse responsabilizado por um sistema de ensino considerado falho, na esperança de receber um sinal das autoridades que lhes trouxesse alguma segurança em relação ao futuro. Em vez disso, a multidão que tentou marchar até o Parlamento na segunda-feira foi recebida por forças de segurança munidas de cassetetes e preparadas para lançar gás lacrimogêneo. À medida que o número de manifestantes aumentava, a polícia iniciou a repressão, golpeando canelas, panturrilhas e costas e brandindo os cassetetes sobre a multidão. Os manifestantes reagiram atirando chinelos e garrafas de água. Muitos fugiram por vielas e ruas secundárias. Nuvens de gás lacrimogêneo deixaram pessoas sufocadas. Os manifestantes, em sua maioria jovens que entoavam palavras de ordem, carregavam cartazes ou apenas permaneciam em silêncio em solidariedade ao movimento, disseram ter ficado chocados tanto com a ação da polícia quanto com a ausência de uma resposta concreta do governo. Na terça, a indignação permanecia evidente, e milhares retornavam ao protesto, realizado nas proximidades do Jantar Mantar, observatório construído no século XVIII. As forças de segurança haviam desmontado as tendas e retirado parte do palco principal montado no local. Ainda assim, Abhijeet Dipke, fundador do Cockroach Janta Party (C.J.P.) — movimento satírico que se tornou um canal para expressar a frustração de milhões de jovens indianos — afirmou que os protestos continuarão por tempo indeterminado. Ele também pediu que as manifestações permanecessem pacíficas. Manifestantes com bandeiras da Índia participam de marcha em Patna para exigir a renúncia do ministro da Educação por supostas irregularidades em exames — Foto: Sachin KUMAR / AFP Impulsionado pelas redes sociais, os protestos tornaram-se um dos maiores desafios enfrentados pelo governo do primeiro-ministro Narendra Modi desde sua reeleição, em 2024. A campanha também ganhou força nesta quarta-feira dentro do Parlamento, com parlamentares da oposição, entre eles Rahul Gandhi, do Partido do Congresso, exigindo que o governo pedisse desculpas pela repressão policial a uma grande manifestação realizada na segunda-feira. Segundo líderes do C.J.P, 150 manifestantes foram levados ao hospital após ficarem feridos nos confrontos de segunda-feira. A polícia de Délhi informou que 118 agentes se feriram durante o que chamou de “protestos violentos”. De acordo com grupos de advogados, cerca de 70 manifestantes foram detidos. Embora o premier não tenha comentado os protestos, na terça-feira o ministro de Assuntos Parlamentares, Kiren Rijiju, disse a jornalistas que “a segurança, a proteção e o futuro da nossa juventude são nossa prioridade”. O movimento se espalhou para além da capital, com manifestações menores surgindo nesta quarta-feira em várias partes do país, incluindo grandes cidades como Mumbai e Bengaluru. Na cidade de Patna, no leste da Índia, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra um protesto que exigia a renúncia do ministro Dharmendra Pradhan, segundo a agência de notícias Press Trust of India. Reação do governo Modi raramente responde a críticas. Por isso, as declarações foram interpretadas como um indicativo da importância atribuída pelo governo aos protestos e um reconhecimento implícito do risco político de afastar os eleitores mais jovens em um país onde mais de 40% da população tem menos de 25 anos. Além do comentário aos jornalistas, Rijiju garantiu que vazamentos de provas seriam evitados no futuro. Ainda assim, o governo pouco respondeu às reivindicações específicas do C.J.P., entre elas a renúncia do ministro da Educação. O movimento o responsabiliza diretamente pela má qualidade do sistema educacional e pelos recentes vazamentos de provas de exames de admissão, que obrigaram milhões de estudantes a refazer os testes. — O governo não está disposto a nos entender e nem a conversar conosco — disse Chandan Mandal, de 19 anos, aluno do último ano do ensino médio no estado de Rajasthan, acrescentando que sua primeira participação em protestos ocorreu há mais de um mês. Mandal contou que foi atingido três vezes por um cassetete durante a repressão de segunda-feira. Dois hematomas avermelhados, de cerca de oito centímetros cada, além de um ferimento aberto, eram visíveis em suas costas. Segundo o C.J.P., pelo menos 21 estudantes morreram por suicídio desde o vazamento das provas, incapazes de lidar com a pressão. — Agora estou me opondo ao próprio governo — disse o estudante, que se prepara para prestar o exame de admissão para uma faculdade de engenharia. Jovens frustrados Segundo economistas, a falta de empregos — ou a incompatibilidade entre as vagas disponíveis e a qualificação dos candidatos — está entre as principais razões para a frustração de milhões de jovens indianos. Um estudo recente da Universidade Azim Premji, amplamente citado no país, concluiu que 40% dos jovens com menos de 25 anos estão desempregados, apesar da ampliação do acesso ao ensino superior. Os slogans mais visíveis entre os manifestantes reunidos na manhã de segunda-feira tratavam menos das falhas nos exames e mais da responsabilização do governo de forma ampla. Em inglês, um cartaz dizia: “A Índia é uma democracia! Queremos respostas!”, enquanto outro, em hindi, trazia a frase “À procura dos desorientados” ao lado de um desenho de Modi. À tarde, a polícia avançou sobre a multidão. Gritos de dor se misturavam ao som estridente dos apitos e das sirenes dos veículos de controle de distúrbios. Uma jovem permanecia agachada ao lado da avenida enquanto amigos tratavam um ferimento em seu antebraço e lavavam seu rosto, avermelhado pelo gás lacrimogêneo. Na estação de metrô Janpath, próxima ao local dos confrontos, uma viatura policial permanecia caída e com o para-brisa destruído. — Há uns 10 ou 15 anos já não parece que vivemos em uma democracia — disse Wishwas Srivastav, de 36 anos, fabricante de motores, acrescentando que viajou do estado de Himachal Pradesh até Délhi para participar dos protestos. — Espero que [o governo] esteja nos ouvindo. Na manhã de terça-feira, o trânsito na avenida Janpath havia voltado ao normal, embora algumas ruas transversais permanecessem com bloqueios reforçados. A viatura na estação de metrô já havia sido colocada novamente sobre as rodas. No local do protesto, voluntários distribuíam alimentos e bebidas aos participantes, incluindo hambúrgueres, samosas, água e bebidas com eletrólitos. Abhishek Kumar, de 20 anos, descansava à sombra depois de uma viagem de cerca de oito horas de ônibus desde sua cidade natal, Kanpur. Após acompanhar pelas redes sociais as cenas de violência da segunda-feira e ver policiais agredindo manifestantes, decidiu viajar até Délhi para participar do movimento. Ele, que recentemente prestou um exame de admissão para ingressar nas Forças Armadas, disse que pretende permanecer no local por alguns dias. Entre os presentes havia também muitos pais preocupados com o futuro dos filhos. Mina Ganesh, de 51 anos, participou do protesto na terça-feira ao lado do filho Miher, de 17. — Finalmente alguém neste país está disposto a levantar a voz — disse. — Demoramos tempo demais. Agora que começamos a falar, ninguém mais vai nos parar. Miher, que pretende cursar economia ou engenharia, afirmou ter se inspirado em Sonam Wangchuk, conhecido ativista da educação que apoia as reivindicações do C.J.P. e aderiu ao protesto iniciando uma greve de fome. Wangchuk está no 23º dia de jejum e foi levado à força para um hospital pelo governo no sábado. — Ele nem nos conhece — disse Miher. — Como posso ficar em casa sabendo que ele pode morrer por mim?
Jovens voltam às ruas na Índia após repressão policial em protestos por mudanças na educação
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