Manifestantes e partidos de oposição, porém, rejeitaram rapidamente a proposta do premiê e insistiram que o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, deve deixar o cargo primeiro Manifestantes gritam slogans enquanto participam de um protesto organizado pela Federação Estudantil da Índia (SFI) em apoio ao CJP (Partido Popular de Copenhague), exigindo a renúncia do Ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, devido ao vazamento das provas do Exame Nacional de Elegibilidade e Admissão (NEET), em Kochi, Índia , 23 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Sivaram V O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, afirmou nesta quinta-feira que serão criados tribunais de tramitação acelerada para processar os responsáveis por vazamentos de provas, em sua primeira manifestação pública após dias de protestos de jovens que exigem a renúncia do ministro da Educação. Manifestantes e partidos de oposição, porém, rejeitaram rapidamente a proposta de Modi e insistiram que o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, deve deixar o cargo primeiro. Grupos oposicionistas interromperam os trabalhos do Parlamento pelo quarto dia nesta semana. Manifestantes entraram brevemente em confronto com a polícia nas ruas de Nova Délhi na noite de quarta-feira, e agentes usaram gás lacrimogêneo e cassetetes para dispersá-los. Os protestos se transformaram no maior desafio protagonizado por jovens a Modi desde que ele chegou ao poder, em 2014. Partidos de oposição endossaram as reivindicações do movimento e vêm interrompendo a sessão parlamentar das monções, iniciada nesta semana. A situação representa a maior crise política do terceiro mandato de Modi, iniciado em 2024. "Nada é mais importante do que o bem-estar e o futuro de nossos jovens!", escreveu Modi no X. "Decidimos criar tribunais de tramitação acelerada para garantir punições rápidas e rigorosas aos envolvidos em vazamentos de provas", afirmou, acrescentando que aqueles que tentarem prejudicar o futuro dos jovens não serão poupados. Esses tribunais são concebidos para acelerar o julgamento de processos, contornando a lentidão e a conhecida sobrecarga do sistema judicial indiano, no qual casos podem levar anos para serem concluídos. Tribunais especiais desse tipo já foram criados para lidar com crimes sexuais contra mulheres e crianças, terrorismo, lavagem de dinheiro e crimes cometidos por parlamentares. CJP e Gandhi rejeitam anúncio O autodenominado Cockroach Janta Party (CJP), ou Partido do Povo Barata, iniciou no mês passado protestos contra vazamentos de provas que afetaram cerca de 2 milhões de estudantes e foram associados a vários suicídios. O porta-voz do CJP, Ashutosh Ranka, afirmou que a atuação dos tribunais após os vazamentos é apenas um aspecto do problema. "Mas, Modi-ji, diga-nos por que, antes de mais nada, vazamentos de provas estão acontecendo neste país?", afirmou, usando o tratamento honorífico em hindi. "Tribunais de tramitação acelerada são criados neste país para todo tipo de questão, mas se esses tribunais realmente resolveram esses problemas — você sabe a resposta, e nós também." O fundador do CJP, Abhijeet Dipke, afirmou que os protestos continuarão até que Pradhan renuncie. O líder do Congresso e do principal partido de oposição da Índia, Rahul Gandhi, afirmou que foi Modi quem mais prejudicou o futuro dos jovens. Parlamentares da oposição exibiram cartazes e entoaram palavras de ordem exigindo a renúncia de Pradhan em frente ao prédio do Parlamento e, posteriormente, interromperam os trabalhos dentro das duas casas, provocando sucessivas suspensões das sessões. Parlamentares do Bharatiya Janata Party (BJP), de Modi, e de partidos aliados realizaram um contraprotesto, defendendo um debate sobre os vazamentos de provas. Ministros de Modi afirmaram que a oposição não estava sendo sincera, já que não concordava em realizar um debate parlamentar sobre o tema. Na noite de quarta-feira, mais de 10 mil pessoas se reuniram no local de protestos de Jantar Mantar, no centro de Nova Délhi, segundo a imprensa local. Alguns manifestantes atacaram policiais com pedras e garrafas plásticas, ferindo alguns agentes, que foram levados ao hospital, informou a agência de notícias ANI, citando a polícia de Délhi. Um apoiador do Partido Janata das Baratas (CJP) da Índia segura um cartaz durante os protestos em andamento, poucos dias depois de milhares de manifestantes marcharem em direção ao parlamento exigindo a renúncia do Ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, devido ao vazamento das provas do Exame Nacional de Elegibilidade e Admissão (NEET), em Jantar Mantar, Nova Delhi, Índia , 23 de julho de 2026 — Foto: REUTERS/Anushree Fadnavis Metrô de Délhi fecha estações Milhares de manifestantes haviam retornado ao local até a tarde desta quinta-feira, carregando cartazes contra o governo e entoando palavras de ordem em meio a um forte esquema de segurança. A Delhi Metro Rail Corp. informou que fecharia 16 estações no centro de Nova Délhi e nos arredores nesta quinta-feira, até segunda ordem. Foi o segundo fechamento em larga escala nesta semana devido a preocupações de segurança, causando transtornos a milhares de passageiros. Em resposta à pressão contínua dos manifestantes, o governo Modi realizou uma rodada de negociações com líderes do CJP e garantiu que suas reivindicações serão consideradas e que reformas no sistema de exames serão implementadas. Os protestos do CJP começaram como uma sátira na internet e reuniam apenas algumas centenas de jovens quando foram lançados. O rápido crescimento da popularidade do movimento reflete a frustração dos jovens indianos com questões como a falta de empregos e os frequentes vazamentos de provas. O movimento também deu aos partidos de oposição uma rara oportunidade de pressionar Modi e seu BJP, que tem nos jovens eleitores uma parcela importante de sua base e venceu uma série de eleições estaduais desde o resultado surpreendente das eleições de 2024, quando Modi não conseguiu conquistar maioria absoluta no Parlamento.
Modi promete tribunais especiais para casos de vazamento de provas após protestos
Manifestantes e partidos de oposição, porém, rejeitaram rapidamente a proposta do premiê e insistiram que o ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, deve deixar o cargo primeiro













