PUBLICIDADE Movimento que começou como uma piada na internet ganhou as ruas nas últimas semanas e promete manter a pressão sobre o premier Narendra Modi, apesar de suspensão de manifestações 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Protesto do Partido das Baratas exigindo a renúncia do ministro da Educação da Índia, em Nova Délhi — Foto: Idrees MOHAMMED / AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/07/2026 - 14:52 'Partido das Baratas' na Índia Pressiona por Libertação de Detidos em Protestos Educacionais O 'Partido das Baratas', emergente força política na Índia, exige a libertação de detidos em protestos que levaram à renúncia do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan. O movimento, apoiado por jovens e figuras públicas, critica o governo Modi e denuncia o uso de força excessiva contra manifestantes. Embora tenham suspendido os protestos, a pressão continua, destacando preocupações com injustiças educacionais. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Depois de semanas de protestos que culminaram com a renúncia do ministro da Educação, representantes do chamado Partido das Baratas (CJP), uma das mais recentes e poderosas forças políticas da Índia, exigiram nesta segunda-feira a libertação de todos os que foram detidos em manifestações. Oficialmente, o movimento suspendeu seus atos públicos, mas a exigência deixa no ar a possibilidade de novos protestos. "Exigimos que todas as pessoas detidas sejam libertadas imediatamente, em qualquer caso até amanhã, e que todas as acusações sejam retiradas", declarou na rede social X um porta-voz do partido, Saurav Das. "Nossa decisão de suspender os protestos foi tomada unicamente com base nas promessas do governo.” Surgido da indignação de estudantes com as irregularidades na realização do exame nacional de acesso ao curso de Medicina, afetando cerca de dois milhões de estudantes, o Partido das Baratas ganhou corpo entre os indianos mais jovens, apresentando o pedido de demissão do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan, como principal bandeira. Contudo, o CJP também canaliza as queixas de boa parte do país ao governo do primeiro-ministro Narendra Modi, e aos pilares do poder na Índia — o nome do movimento faz referência a um comentário do presidente da Suprema Corte da Índia, Surya Kant, que em maio disse que ativistas e pessoas desempregadas eram “como baratas”. Ao longo das últimas semanas, os protestos, que angariaram o apoio de ativistas até astros de Bollywood, passaram a ser encarados por Modi como um desafio ao seu poder. No dia 20, houve confronto entre manifestantes e as forças de segurança quando o grupo decidiu marchar rumo ao Congresso. Nos atos do fim de semana, houve relatos sobre o uso de câmeras de reconhecimento facial, e um estudante entrou com uma ação na Justiça local exigindo a destruição dos dados obtidos com o equipamento. “Nossos estudantes exigiam um sistema educacional justo e responsável. Em vez de serem ouvidos, foram atacados pelas forças de segurança com força indiscriminada, incluindo o uso de armas letais e gás lacrimogêneo”, afirmou o líder do partido Congresso Nacional Indiano, Rahul Gandhi, em uma carta ao ministro do Interior, Amit Shah, no domingo, na qual demonstrou apoio ao movimento das baratas. Modi se recusava a demitir Pradhan, um aliado próximo, mas a pressão das ruas chegou ao limite no sábado, e o anúncio da saída do titular da pasta foi inevitável. Imediatamente depois da confirmação, os protestos se tornaram grandes festas, e o CJP anunciou que iria suspender os atos públicos “de boa fé”. — O espaço online foi totalmente conquistado pelos manifestantes, e a mídia simpática ao regime teve sua legitimidade seriamente comprometida — disse Ashutosh Varshney, professor de estudos internacionais na Universidade Brown, em entrevista ao jornal britânico Guardian. — A revolta era tão generalizada que não restou outra opção a não ser a saída de Pradhan. O recuo já é interpretado como um raro sinal de fragilidade de Modi, conhecido por seu estilo inflexível de governar. — Modi sabe que, assim que se começa a demitir os ministros mais leais, criam-se incentivos para que outros ministros também abandonem o grupo —disse ao Guardian o colunista político Pratap Bhanu Mehta. — Quando o seu próprio gabinete começa a se precaver para um futuro em que talvez não conte com o apoio do seu governo, é aí que você entra em apuros. Embora os protestos estejam suspensos, a pauta do CJP ainda tem itens pendentes. No sábado, uma publicação do partido nas redes sociais exigiu o pagamento de 10 milhões de rúpias às famílias dos estudantes que tiraram a própria vida em decorrência das falhas no exame nacional e que não sejam abertos processos criminais contra os manifestantes detidos. Nesta segunda-feira, o movimento incluiu mais um tópico: a libertação de todos os presos, sem exceção. — Lembrem-se: não mexam com a barata. E ao povo da Índia: é assim que uma democracia deve ser — disse no sábado, em discurso, o fundador do CJP, Abhijeet Dipke, pedindo ainda que não seja transformado em um herói. — Não cometam esse erro. O país foi arruinado por transformar uma única pessoa em herói.