Item de destaque na cozinha francesa e japonesa, o foie gras, fígado gordo de ganso ou pato, vem se distanciando cada vez mais de consumidores ligados à gastronomia, tanto por seu caráter luxuoso quanto pelo atual debate sobre crueldade animal.

Publicada nesta sexta-feira (24) no Diário Oficial da União, uma lei sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) proíbe a produção e a comercialização de alimentos obtidos por meio da alimentação forçada de animais, incluindo o foie gras obtido pelo método tradicional. O texto veta a fabricação e venda desses produtos, inclusive os importados.

"O foie gras é milenar, uma cultura muito antiga e forte na França. Assim como o vinho, é um pilar importantíssimo da nossa gastronomia", diz Frédéric Renaut, restaurateur à frente da filial do café francês Les Deux Magots.

O item é considerado um artigo de alta classe desde a monarquia francesa, explica Pedro Drudi, gestor de desenvolvimento acadêmico da escola de gastronomia francesa Le Cordon Bleu. "É um símbolo de status, sendo reservado para grandes celebrações, jantares para autoridades ou restaurantes de alta gastronomia."

Mas, além do caráter luxuoso, o debate sobre a alimentação forçada já vinha afastando clientes do consumo de foie gras. "Já vimos essa diminuição nos Estados Unidos, na França e em outros países da Europa. Essa queda não acontece tanto devido ao preço, mas por conta do debate em relação à crueldade animal", diz Drudi.