Estatal diz que movimento faz parte de 'estratégia de revisão da carteira imobiliária e integra o plano de reestruturação' da empresa 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Leilão: faixa no prédio em que funcionou primeira sede dos Correios informa sobre certame — Foto: Márcia Foletto RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/07/2026 - 21:14 Prédio Histórico dos Correios no Rio Será Leiloado por R$ 50 Mi A primeira sede dos Correios no Brasil, construída sob ordens de Dom Pedro II, será leiloada na próxima semana como parte do plano de reestruturação da empresa. Localizado na Rua Primeiro de Março, Rio de Janeiro, o prédio neoclássico simboliza a centralidade dos Correios no século XIX. Avaliado em R$ 50 milhões, o imóvel integra um movimento estratégico da estatal, que sofreu prejuízo de R$ 8,5 bilhões. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O prédio em estilo neoclássico, construído a mando de Dom Pedro II na segunda metade do século XIX, abrigou a primeira sede nacional do Correio Geral. Instalado no número 64 da Rua Primeiro de Março, no Centro do Rio, o imóvel histórico deve sair das mãos dos Correios nos próximos dias. O motivo é que está marcado para a próxima quinta-feira (dia 30) um leilão, que tem o imóvel como uma das atrações. A explicação sobre a importância histórica do prédio é de Marconi Andrade, fundador do grupo SOS Patrimônio. Ele lembra que não devemos pensar apenas em cartas ao dimensionar a centralidade do local: além de correspondências, escrituras de imóveis, por exemplo, também precisavam passar pelos Correios, e não pelo cartório, como é hoje. Dali, eram enviados itens para todo o Brasil. — Os Correios cresceram demais e se tornaram uma instituição que atendia o país todo. Era uma máquina burocrática que ficou tão grande que precisou transferir a sede para o Paço Imperial — lembra Marconi. Segundo a estatal, que registrou prejuízo de R$ 8,5 bilhões no ano passado, em uma sucessão de períodos de rombo nas contas, explica que o leilão "faz parte da estratégia de revisão da carteira imobiliária e integra o plano de reestruturação dos Correios". — Isso só mostra o pouco caso que o poder público dá para a História do país. É uma falta de sensibilidade gigantesca — critica o fundador do SOS Patrimônio. Vista aérea da primeira sede dos Correios, na Rua Primeiro de Março - imóvel vai a leilão — Foto: Márcia Foletto Estrutura danificada A criação dos Correios é datada de 1663, ano da criação do cargo de Correio-mor, equivalente ao de carteiro. Mas foi com Pedro II, dois séculos depois, que as coisas deslancharam. Foi o imperador quem aprovou a reforma postal no país, quando foi criado o primeiro selo brasileiro, o Olho de Boi, o segundo do mundo. Hoje, quem passa pela Primeiro de Março se depara com um imóvel de portas e janelas fechadas. Além de caixas de correspondência de metal, na cor verde, na parede, a lembrança ao que um dia funcionou ali vem dos letreiros que indicam as iniciais ECT, referência à Empresa de Correios e Telégraphos (grafia com PH, como inscrita na estrutura). Empresa de Correios e Telégraphos (com PH): grafia antiga exibida na fachada — Foto: Márcia Foletto Os Correios informam que o imóvel está fechado atualmente, mas não detalham desde quando, tampouco o que funcionava ali até outrora. Buscas pela ferramenta Street View, do Google, mostram que o último registro da agência instalada ali com as portas abertas é de março de 2023. Atualmente, a rampa de metal que dava acesso ao local já foi removida. O único dano aparente na estrutura se dá numa quina dos fundos do prédio, na esquina da Travessa Tocantins com a Rua Visconde de Itaboraí. Foto feita pelo GLOBO mostra que parte do beiral entre o primeiro e o segundo pavimento caiu. É possível ver até um buraco na parede, em meio à cor alaranjada discrepante ao branco que pinta as paredes do imóvel. Fundos do prédio dos Correiros está com parede danificada — Foto: Márcia Foletto Leilão vem aí Mas o leilão não é nenhuma surpresa. Uma faixa já foi instalada numa das janelas, com direcionamento para site e telefone com detalhes do certame, marcado para a próxima quinta-feira. O anúncio também foi publicado no Diário Oficial da União no último dia 10. Já no site de leilões indicado, o prédio histórico aparece avaliado em torno de R$ 50 milhões. A construção é descrita como um prédio comercial desocupado com cinco pavimentos, com mais de 9 mil metros quadrados de construção. Só serão aceitos pagamentos à vista, com um prazo de quitação de até 60 dias corridos, contatos a partir do dia da licitação. Há ainda outros quatro imóveis que os Correios leiloarão no Rio. Na próxima semana, está marcado também o certame envolvendo um prédio comercial no Estácio, com valor inicial de R$ 1,8 milhão. Estão previstos ainda, sem data, leilões de duas antigas agências — uma de filatelia na Rua do Ouvidor 20, no Centro, e outra na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, na Zona Sul — assim como um galpão em Niterói.