Para analista, ideia de diversificar atuação para elevar receitas não resolve prejuízo 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Sede dos Correios em Brasília (DF): empresa amplia parcerias para recuperar o caixa — Foto: Reprodução / TV Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 09/07/2026 - 22:05 Correios Buscam Parcerias Privadas e Expansão para Amenizar Crise Financeira Em meio a uma grave crise financeira, os Correios buscam diversificar suas receitas por meio de parcerias com o setor privado, incluindo a venda de selos do Inmetro e a logística de produtos Jequiti. A estatal também planeja atuar como fintech e ampliar parcerias com o setor público. Contudo, especialistas avaliam que essas medidas são insuficientes para sanar o déficit de R$ 3,1 bilhões registrado no primeiro trimestre. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em busca de novas receitas para sair de uma grave crise financeira, os Correios decidiram diversificar seus negócios e trabalham em oito novas parcerias com o setor privado. Estas incluem a venda de selos do Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) para fabricantes de capacetes, além de ampliar a comercialização de produtos do Grupo Silvio Santos, como títulos de capitalização, carnês do Baú da Felicidade e a logística de itens da marca Jequiti. A direção da estatal também avalia incorporar serviços relacionados à operação de cartões, com a Cielo e a GetNet. A ampliação das áreas de atuação faz parte do plano de reestruturação dos Correios. Segundo a direção da empresa, a ideia é, além de realizar a entrega de encomendas, atuar como uma espécie de fintech. Os Correios avaliam assumir o armazenamento e a entrega dos produtos da Jequiti — Foto: Arquivo/Divulgação Os Correios já comercializam a Tele Sena, o título de capitalização do Grupo Silvio Santos, bem como seguros de vida e funeral, em parceria com a francesa CNP Seguradora (atualmente em processo de reavaliação), além de chips para celular. No caso dos produtos Jequiti, os Correios passaram a vender o carnê do Baú Jequiti, modalidade em que os clientes pagam uma mensalidade para trocar por itens da marca. A ideia agora é ampliar o negócio e assumir a responsabilidade pelo armazenamento e pelas entregas dos itens. A estatal fechou 2025 com prejuízo de R$ 8,5 bilhões, e o rombo deve ser ainda maior neste ano. No primeiro trimestre de 2026, o déficit foi de R$ 3,1 bilhões. O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil Comandados por Emmanoel Rondon, os Correios conseguiram no ano passado empréstimo de R$ 12 bilhões, com aval do Tesouro Nacional. E agora buscam um novo empréstimo, agora de R$ 7 bilhões, como parte de sua estratégia para reverter os resultados negativos dos últimos anos. Em contrapartida, apresentou uma plano de corte de custos e de geração de novas receitas. Só um ‘puxadinho’ A partir do mês que vem, a estatal passará a vender também selos de identificação de conformidade do Inmetro para capacetes de motociclistas, extintores de incêndio e cilindros de gás para postos de combustíveis. Serão emitidos 1,2 bilhão de selos, que podem ser adquiridos por valores entre R$ 0,35 e R$ 0,73 pelos fabricantes desses itens, desde que tenham a certificação do Instituto. A parceria é vista como promissora pela direção da empresa, que estima faturar R$ 500 milhões por ano com a comercialização desses produtos. A próxima etapa, segundo a direção dos Correios, será a abertura de contas digitais, em parceria com a Dock, empresa de serviços financeiros. Acordo com BB Além do setor privado, a estatal procura ampliar parcerias com o setor público, como o aluguel de galpões para armazenamento de mercadorias apreendidas pela Receita Federal. Na terça-feira, a empresa fechou contrato com o Banco do Brasil, no valor de R$ 2,3 bilhões, para prestação de serviços postais, em âmbito nacional e internacional. Especialistas afirmam que a iniciativa dos Correios em operar com o setor privado não é capaz de sanar o déficit da estatal. Só no primeiro trimestre deste ano, a empresa registrou um prejuízo de R$ 3,1 bilhões. Para Fernando Soares, ex-secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais no governo Michel Temer e professor da Fundação Dom Cabral, a estratégia de ampliar parcerias representa apenas um “puxadinho” nas receitas, sem potencial para reverter o quadro deficitário da estatal. — Para resolver o problema dos Correios é preciso ter apoio de vários ministérios, para enfrentar interesses corporativistas e cortar despesas — disse Soares.